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Brasil Desembargador preso pela Polícia Federal no Rio Grande do Norte é personagem de gibi

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A revista incluiu profissionais que deixaram sua marca na história da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte com o objetivo de despertar a cidadania nas crianças. (Foto: Reprodução)

O desembargador aposentado Francisco Barros Dias, preso na semana passada, é retratado como personagem de um gibi lançado em junho pela JFRN (Justiça Federal no Rio Grande do Norte) para a “formação ética das futuras gerações”. Ele foi um dos alvos da Operação Alcmeon, da PF (Polícia Federal) em conjunto com o MPF  (Ministério Público Federal) naquele Estado, para desarticular um grupo criminoso que explorava a compra e venda de votos junto a uma turma do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região).

O gibi recebeu o título “Turma do Delgado” para homenagear o ministro aposentado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) José Augusto Delgado, que atuou como Juiz Federal na JFRN. A operação da Polícia Federal, por sua vez, foi nomeada Alcmeon para fazer referência a um personagem da mitologia grega que está relacionado à traição e à quebra de confiança.

A revista incluiu profissionais que deixaram sua marca na história da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte com o objetivo de despertar a cidadania nas crianças.

Segundo os investigadores da Operação Alcmeon, a organização teria atuado perante a Justiça em fatos que já teriam sido identificados, dentre os quais operações policiais, apelações criminais, ações rescisórias e revisão criminal. Os principais clientes eram políticos, inclusive envolvidos na operação Pecado Capital.

Além de Barros Dias, um grupo de advogados faria parte do grupo que negociava votos em sentenças criminais para a libertação de presos ou liberação de bens apreendidos em ações penais. Em um caso específico, a pena de um ex-prefeito, que era de 28 anos de reclusão, foi reduzida para dois anos e oito meses, e substituída por restritiva de direito. As ações do grupo indicariam também o cometimento de delitos de exploração de prestígio em vários processos em trâmite no Tribunal, inclusive processos relacionados à Operação Lava-Jato.

O esquema criminoso foi desvendado por meio de acordo de colaboração premiada em que um empresário relatou pelo menos duas situações em que teria obtido os benefícios do grupo depois de ter sua prisão decretada e seus bens apreendidos durante uma operação policial deflagrada no Estado. O grupo cobraria em média  350 mil reais pelo serviço, sempre de forma antecipada. Em determinado momento, um dos advogados, ligado à organização criminosa, teria retido os documentos de veículos de um dos delatores como forma de garantir o pagamento futuro da propina.

O grupo está sendo investigado também com relação aos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica de documentos particulares, uso de documentos particulares ideologicamente falsos e lavagem de dinheiro.

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