Terça-feira, 07 de Julho de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
11°
Cloudy

Brasil A desembargadora que mentiu sobre a vereadora Marielle pede desculpas em uma carta enviada a uma professora com Síndrome de Down

Compartilhe esta notícia:

Desembargadora se desculpa nas mesmas redes sociais em que atacou diversas pessoas. (Foto: Reprodução)

Alvo de representações no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a desembargadora Marilia de Castro Neves Vieira, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), pediu desculpas “à memória” da vereadora fluminense Marielle Franco (Psol), executada no Rio de Janeiro em 14 de março, com “reflexão” estendida ao deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Acionada no CNJ por ter divulgado mentiras sobre a parlamentar, a quem chamou de “cadáver comum” e acusou de envolvimento com bandidos, Marilia publicou uma carta dirigida à professora Débora Araújo Seabra, de 36 anos, que é portadora de Síndrome de Down e há 13 dá aulas em um colégio particular em Natal (RN). Em outra postagem na rede social, a magistrada havia questionado a capacidade de Débora em lecionar.

Depois de ofendida, Débora escreveu uma carta para a desembargadora por meio da qual responde qual é sua capacidade. “Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais. […] O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito, porque é crime”, escreveu Débora em 19 de março último.

Agora, Marilia se diz arrependida, pede desculpas também à professora e diz ter aprendido com o episódio. “Estou escrevendo para agradecer a carta que você me mandou e lhe dizer que suas palavras me fizeram refletir muito. Bem mais do que as centenas de ataques que recebi nas últimas semanas. Desculpe a demora na resposta, mas eu precisava desse tempo. Tenho sofrido muito desde que fui atropelada pela divulgação de comentários meus, postados em grupos privados – restritos a colegas da magistratura. Mas alguém resolveu torná-los públicos. Alguns haviam sido postados há tanto tempo que eu nem me lembrava deles. A repercussão foi imensa”, diz a magistrada.

Na postagem que lhe rendeu as representações no CNJ, Marilia classifica Marielle Franco como “cadáver comum” e a acusa de engajamento com o crime. Além disso, Marilia acusa a vereadora do Psol de ter sido eleita pelo Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do País, e depois ter descumprido “‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores” – uma fake news (notícia falsa) que ganhou as redes sociais após a execução da vereadora. Como reação a estas mentiras, um site foi criado para repôr a verdade e rebater cada uma delas.

Há mais de um mês em destaque, os comentários de Marilia tiveram repercussão nacional e revoltaram setores da sociedade, inclusive no âmbito da magistratura. Em seu blog no jornal O Globo, o colunista Ancelmo Gois faz menção à carta da desembargadora e faz a seguinte anotação: “Há quem acredite que a magistrada escreveu a mensagem apenas para amenizar o problema enfrentado no CNJ. Como foi publicado aqui na coluna há uma operação ‘abafa’ para que ela não seja punida. A conferir”. Ancelmo lembrou ainda que a desembargadora alterou a foto de seu perfil no Facebook.

Homofobia

Na menção a Jean Wyllys, em que a acusam de homofobia, Marilia diz o seguinte, sempre naquela rede social – a desembargadora, aliás, parece ter como alvos preferenciais os parlamentares do Psol. “Eu, particularmente, sou a favor de um ‘paredão’ profilático para determinados entes… O Jean Willis [sic], por exemplo, embora não valha a bala que o mate e o pano que limpe a lambança, não escaparia do paredão…”, escreveu a juíza. Seria apenas mais um caso de simpatia por violência não fosse o diálogo que se seguiu ao post.

“Concordo, nesse caso teria que ser via TSE [Tribunal Superior Eleitoral], pra evitar os Temer da vida…”, escreve um interlocutor, acrescentando conteúdo preconceituoso. “Quanto ao paredão, de costas, ele amaria.” Diante da ressonância, Marilia continuou: “Tenho dúvidas… O projétil é fininho…”, acrescentou, adicionando ao comentário uma figura (emoji) em gargalhada.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

A vacinação contra a gripe começa na segunda em todo o País
Saiba por que o Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de municípios onde o câncer é a principal causa de morte
Deixe seu comentário
Pode te interessar