Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de janeiro de 2023
A poucos mais de um ano de completar três décadas em circulação, o real já perdeu grande parte de seu valor frente ao dólar. A moeda, que já valeu mais de US$ 1 em seu primeiro ano de vida, hoje não chega a “comprar” US$ 0,20.
Ao longo desse período, o real teve seus piores desempenhos durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff e o governo de Jair Bolsonaro.
O levantamento é de Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, que analisou os governos de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, com base nas cotações do Banco Central.
Governo a governo
Na variação acumulada, foi no primeiro governo de Dilma (2011 a 2014) que o real mais se desvalorizou (saiu de R$ 1,67 por dólar em dezembro de 2010 para R$ 2,66 em dezembro de 2014).
Os quatro anos que envolveram o segundo mandato de Dilma e o governo Michel Temer – que a substituiu após um processo de impeachment – viram o dólar ter sua segunda maior alta frente á moeda brasileira (46,04%). Na sequência vem o governo Bolsonaro, quando o dólar subiu 36,2%.
Já a maior valorização do real foi no primeiro mandato de Lula (quando a cotação do dólar caiu quase 40%), seguida pelo segundo mandato dele (queda de 22,94% no dólar).
Em valores absolutos, no entanto, foi no governo de Jair Bolsonaro que o preço do dólar mais subiu diante da moeda brasileira. No último dia útil de 2018, o dólar era vendido a R$ 3,8812. Já no último dia útil de dezembro de 2022 valia R$ 5,2860 – diferença de R$ 1,40.
Já a segunda maior alta do dólar foi no segundo mandato de Dilma (substituída depois por Temer), com diferença de R$ 1,22.
Já o mandato em que a cotação do dólar mais caiu foi no segundo governo Lula. Em 2002, o dólar fechou em R$ 3,54. Já em 2006, o valor estava em R$ 2,1364 – diferença também de R$ 1,40, mas dessa vez a favor do real. O segundo mandato de Lula vem em seguida, com diferença de R$ 0,48.
Bruno Imaizumi destaca abaixo os principais fatores que influenciaram o desempenho do câmbio em cada mandato.
Lula (2003-2006)
– Aos poucos, Lula ganhou a confiança de investidores estrangeiros, passando credibilidade, previsibilidade e estabilidade.
– O chamado boom das commodities – sobretudo com a ascensão da China – fez com que o Brasil acumulasse bilhões em reservas internacionais.
– No mandato houve crescimento econômico robusto.
– Episódios de corrupção como o mensalão não afetaram tanto a evolução da moeda.
Lula (2007-2010)
– O segundo mandato de Lula também teve valorização de commodities e manutenção do crescimento econômico, porém em ritmo menos acelerado.
– O governo enfrentou a crise das hipotecas nos EUA em 2008, que acabou contaminando as economias em todo o mundo. Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil interrompeu uma sequência de fortes altas e caiu 0,1%.
– Depois da eclosão da crise, a alternativa escolhida por muitos países, entre eles o Brasil, foi lançar mão de uma política fiscal expansionista. Isso incluiu estimular o consumo e investimentos por meio de renúncias fiscais, ao mesmo tempo em que o governo aumentou gastos para estimular a economia. Essas políticas se tornaram causa de outros problemas, entre eles o endividamento público prolongado.
Dilma (2011-2014)
– Aumento maciço de gastos públicos.
– Manifestações em 2013 trouxeram instabilidade política.
– Denúncias de escândalos de corrupção em diversos ministérios e investigações relacionadas a irregularidades, principalmente na Petrobras.
– Ciclo de baixa da taxa Selic, quando a economia ainda estava aquecida, trazendo inflação.
– A eleição de 2014 foi muito polarizada, trazendo instabilidade aos mercados.
Dilma e Temer (2015-2018)
– Gastos continuaram e prejudicaram as contas públicas, em meio à crise política e econômica.
– A agência de avaliação de risco Standard and Poor’s (S&P) cortou o grau de investimento (título de bom pagador do Brasil) em 2015, citando deterioração fiscal e falta de coesão da equipe ministerial como motivos.
– Impeachment de Dilma e entrada de Michel Temer mantiveram o dólar em patamar estável entre o 2º semestre de 2016 e início de 2018.
– 2018 foi marcado por incertezas eleitorais, guerra comercial entre EUA e China, alta de juros nos EUA e mudança na política de preços dos combustíveis pela Petrobras, que deflagrou a greve dos caminhoneiros.
Bolsonaro (2019-2022)
– No primeiro ano de governo, foi aprovada a reforma da Previdência.
– O governo foi marcado pela pandemia, que fez com que investidores procurassem ativos de menor risco, como o dólar.
– Aumento de gastos públicos para bancar benefícios sociais – no começo, para amenizar os efeitos da pandemia e, depois, com objetivos eleitoreiros.
– Alta da inflação trazida por fatores domésticos e externos e elevação da taxa de juros.
– Ataques à democracia trouxeram menor segurança jurídica e elevaram a desconfiança de investidores estrangeiros. As informações são do portal de notícias G1.
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