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Acontece Engenharia Feminina: Coragem, Cálculo e Criação que Transformaram o Mundo

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Sônia Guimarães (Brasil) – Primeira mulher negra doutora em física no país e professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)

Foto: Reprodução

No Brasil, a engenharia tem rosto feminino — ainda que por muito tempo tenha sido invisibilizado. Segundo o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), fundado em 11 de dezembro de 1933, o país conta hoje com 1,2 milhão de profissionais registrados, sendo 962 mil homens e 245 mil mulheres. No Rio Grande do Sul, o CREA-RS, que completou 92 anos em 30 de maio de 2026, reúne 92 mil profissionais, dos quais 16.520 são mulheres. Números que revelam uma presença crescente, mas ainda desafiadora, em um campo que exige não apenas técnica, mas também persistência.

As pioneiras que abriram caminho

A primeira engenheira do mundo foi Elizabeth Bragg, formada em Engenharia Civil pela Universidade da Califórnia, Berkeley, em 1876. Sua conquista foi um marco histórico, abrindo portas para que outras mulheres desafiassem barreiras educacionais e sociais. Desde então, inúmeras engenheiras transformaram o planeta com suas ideias e projetos.

Dez engenheiras que marcaram a história

  • Emily Warren Roebling (EUA) – Supervisora da construção da Ponte do Brooklyn, assumiu o comando após o marido adoecer, tornando-se símbolo de liderança e competência técnica.
  • Edith Clarke (EUA)Primeira mulher engenheira elétrica nos Estados Unidos e professora na Universidade do Texas; inventou o “calculógrafo”, precursor das calculadoras modernas.
  • Hedy Lamarr (Áustria/EUA) – Atriz e engenheira autodidata, criou o sistema de comunicação por salto de frequência, base do Wi-Fi e Bluetooth.
  • Mary Jackson (EUA)Engenheira aeroespacial da NASA, cuja trajetória inspirou o filme Estrelas Além do Tempo. Lutou por igualdade racial e de gênero na ciência.
  • Lillian Gilbreth (EUA)Engenheira industrial e psicóloga, pioneira em ergonomia e eficiência no trabalho, influenciando até o design das cozinhas modernas.
  • Ursula Burns (EUA)Engenheira mecânica e primeira mulher negra a comandar uma empresa da Fortune 500, a Xerox Corporation.
  • Valentina Tereshkova (Rússia)Engenheira e primeira mulher a viajar ao espaço, em 1963, tornando-se ícone da engenharia aeroespacial.
  • Sônia Guimarães (Brasil) – Primeira mulher negra doutora em física no país e professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), referência em engenharia e inclusão.
  • Márcia Barbosa (Brasil)Engenheira física gaúcha, reconhecida internacionalmente por suas pesquisas sobre as propriedades da água e pela defesa da presença feminina na ciência.
  • Nanci Walter (Brasil)Primeira mulher presidente do CREA-RS,  símbolo da força das engenheiras gaúchas na gestão e representação profissional.

A engenharia como espaço de transformação

Essas mulheres não apenas projetaram pontes, prédios e sistemas — projetaram novos caminhos para a igualdade. No Brasil, o avanço feminino na engenharia reflete uma mudança cultural e educacional: mais meninas estão ingressando em cursos de exatas, inspiradas por exemplos reais de sucesso.

O Programa Mulher do Sistema Confea/Crea e Mútua tem sido essencial nesse processo, promovendo debates sobre equidade, mentorias e políticas de incentivo à liderança feminina. Cada engenheira que conquista seu espaço contribui para um futuro mais diverso e inovador.

23 de junho – Dia da Mulher engenheira

O Dia da Mulher Engenheira é uma homenagem àquelas que calculam, constroem e sonham com precisão. É o reconhecimento de que engenharia também é sensibilidade, visão e coragem.
Como disse Edith Clarke, “não há diferença entre o cérebro de um homem e o de uma mulher — apenas nas oportunidades que lhes são dadas”.

Hoje, essas oportunidades estão sendo ampliadas, e o Brasil segue construindo, tijolo por tijolo, um cenário onde a engenharia tem cada vez mais voz feminina. (por Gisele Flores)

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