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Brasil Dilma acusa Marcelo Odebrecht de mentir em interrogatório ao juiz Sérgio Moro

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Ex-presidenta divulgou nota refutando informações prestadas pelo empresário (E). (Foto: Agência Brasil)

A ex-presidenta Dilma Rousseff acusou Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira que leva o nome de sua família, de “mentir” e “faltar com a verdade” no interrogatório que prestou na segunda-feira ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). Ela se referiu ao trecho da oitiva em que o empresário e delator afirma ter atuado como “padrinho” em supostos pedidos dela junto à empresa – segundo ele, dentro da construtura era comum que cada político tivesse um executivo responsável por fazer toda a interlocução.

“Mais uma vez, o senhor Marcelo Odebrecht volta a faltar com a verdade ao dizer em juízo que ele seria uma espécie de padrinho de pleitos da presidenta eleita Dilma Rousseff junto à construtora. É mentira que Dilma Rousseff tenha pedido ou mandado pedir recursos ou favores ao senhor Marcelo Odebrecht ou a dirigentes da empreiteira. Isso jamais aconteceu. O empresário mente”, afirmou a presidente, por meio de nota distribuída por sua assessoria nesta terça-feira. “A verdade virá à tona. Insinuações ou mentiras lançadas não terão o condão de se transformar em fatos. A Justiça vai restabelecer a verdade.”

No caso de Lula, segundo Marcelo Odebrecht, o padrinho era Emílio Odebrecht, seu pai e fundador da empreiteira. “Lula era com o meu pai. Aécio Neves [senador do PSDB], Eduardo Campos [ex-governador de Pernambuco, do PSB, morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014] e Dilma eram comigo”, declarou. “E nada se acertava em relação a determinada pessoa, mesmo por outro negócio, se não fosse comunicado ao padrinho interno, que era uma coisa nossa, interna.”

Interrogatório

Marcelo Odebrecht foi o primeiro a ser interrogado pelo juiz na ação do MPF (Ministério Público Federal) que acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso envolvendo a suposta doação de um terreno pela empresa para a construção da nova sede do Instituto Lula. Dinheiro desviado da Petrobras teria sido usado no caso. Ambos são réus na ação.

Por cerca de quatro horas, ele respondeu a perguntas de Sergio Moro, de procuradores, de advogados da defesa e da acusação, e de defensores de outros réus. Após o interrogatório, foi a vez de Paulo Melo, ex-executivo da Odebrecht e réu na ação, a dar informações. Marcelo disse que Lula “acabou aceitando” o terreno, mas que não sabe afirmar se o ex-presidente foi o responsável por “bater o martelo”. Em nota, a defesa de Lula negou que o petista tenha recebido o imóvel, tampouco em razão de vantagem.

O empresário afirmou ainda estar empenhado em elucidar a acusação. Também demonstrou insatisfação com outros delatores e afirmou à defesa do ex-presidente que o surgimento de mais provas ligadas aos sistemas MyWebDay e Drousys só poderá prejudicá-los. Ele se referia aos softwares gerenciados por executivos do grupo no Setor de Operações Estruturadas, mais conhecido como o “setor de propinas” da empresa.

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