Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de janeiro de 2016
A presidenta Dilma Rousseff disse na quinta-feira que nunca discutiu uma “guinada à esquerda” na política econômica com a cúpula do PT e afirmou estar preocupada em assegurar o equilíbrio fiscal, o crescimento e em combater a inflação. Em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Dilma declarou que não responde “só ao PT nem só ao PMDB”, mas a toda a sociedade.
Questionada sobre as críticas de seu partido à reforma da Previdência, no momento em que o governo admite ser preciso mudanças nessa área para a sobrevivência do sistema, ela tentou amenizar as divergências. “A discussão nem começou”, reagiu.
A presidenta disse que ninguém do PT pediu a ela uma “guinada” nos rumos da economia. “Olha, para mim não falaram isso”, desconversou. Ao ser lembrada que o presidente do partido, Rui Falcão, divulgou uma nota em dezembro, logo após a nomeação de Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, cobrando ousadia na política econômica para devolver à população a “confiança perdida após a frustração dos primeiros atos de governo”, Dilma abriu um sorriso. “Nota a gente pode fazer, todo mundo pode soltar nota, eu também solto”, respondeu a chefe do Executivo. A mandatária falou ainda que mantém uma “ótima” relação com seu vice, Michel Temer.
“Todos podem ser investigados”
A presidenta Dilma Rousseff evitou comentar o aparecimento do nome do ministro Jaques Wagner (Casa Civil) nas investigações da Operação Lava-Jato. Questionada sobre o impacto das investigações de um ministro tão próximo a ela, Dilma não citou o nome de Wagner, disse que o seu governo apoia todas as investigações, mas destacou que é preciso garantir o direito de defesa. “Eu tenho certeza que poucos governos tiveram uma relação tão clara, tão explícita na garantia das condições de investigações”, afirmou.
Conforme divulgado pelo jornal O Estado de S.Paulo, um conjunto de mensagens de texto recolhidas pela Lava-Jato revela a proximidade do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, com importantes nomes ligados direta ou indiretamente ao PT e ao governo Dilma: Wagner, Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, e Ademir Bendine, presidente da Petrobras. Nenhum deles é alvo da operação.
A chefe do Executivo disse ainda que todos podem ser investigados e afirmou ter certeza de que ela mesma já foi alvo de apurações. “Eu tenho clareza que devo ter sido virada dos avessos. E tenho clareza também que podem continuar virando dos avessos. Sobre a minha conduta não paira nenhum embaçamento.” (AE)
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