Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

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Brasil Dilma e Cunha duelam em campo minado

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Eduardo Cunha foi alvejado em muitas frentes (Foto: André Dusek/AE)

A crise cultivada nesta temporada de seca em Brasília tem nome, Dilma, e sobrenome, Cunha. A presidenta completou sete meses no Palácio do Planalto perdida no labirinto do próprio legado, construído em parceria com Lula. Do outro lado da rua, no Congresso, ele escolheu atirar com a arma de maior calibre que um presidente da Câmara dos Deputados dispõe: o controle da pauta de votações.
Atingido por denúncias de “crimes infamantes”, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mostrou-se acuado. E apostou no confronto institucional como método para ofuscar seu protagonismo nas investigações sobre corrupção na Petrobras.
Cunha passou a liderar a organização de uma nova maioria legislativa, a dos adversários de Dilma Rousseff. Até agora, a alquimia parlamentar permitiu-lhe catalisar sentimentos antigoverno em todos os partidos, inclusive no PT de Lula e Dilma.
Foi assim que em uma simbólica votação, surpreendeu a presidenta. Ela ficou com apenas 16 dos 400 votos governistas na Câmara. O governo perdeu a bússola do Legislativo. No plenário estavam 59 deputados petistas. Desses, 56 votaram contra Dilma. Somaram-se ocasionalmente à oposição dispersa, cuja melhor proposta se resume à convocação de “novas eleições”.
Essa exortação às eleições presidenciais antecipadas pode até ser útil para incentivar protestos, como os previstos para domingo. No entanto, soa delirante em um País cuja Constituição impõe o regime presidencialista, com mandato de quatro anos e só passível de interrupção por morte, renúncia ou impeachment. Se o governante exerce as funções, a Carta reserva aos descontentes a alternativa de uma longa, tortuosa e imprevisível rota processual para o impeachment, na qual o Congresso submete-se ao império do Supremo Tribunal Federal.
Dilma e Cunha escolheram se confrontar em campo minado. O governo tem sido reprovado por sete em cada dez eleitores, nas pesquisas, porque ela prometeu na campanha, faz o contrário no Planalto e, diante das consequências, refugia-se no imobilismo. Quando decide se mover, produz lances de nonsense, como o elogio à mandioca ou a autorização ao vice, Michel Temer, para clamar em público por “alguém” com “capacidade” de pacificar a política e recuperar a economia. (AG)

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