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Capa – Destaques Dilma vai a Assembleia Legislativa gaúcha para a entrega da Medalha do Mérito Farroupilha

Homenagem a Eleonora Menicucci (D) foi prestigiada por representantes de partidos e movimentos de esquerda. (Foto: Leandro Molina/Divulgação)

Na tarde dessa terça-feira, a ex-presidenta Dilma Rousseff (2011-2016) esteve na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde prestigiou a cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Farroupilha à ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.

Proposta pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT), a honraria foi motivada pela trajetória política de Eleonora, que se destacou em questões como igualdade de gênero. O ato solene foi realizado no Salão Júlio de Castilhos e, além de Dilma, contou com a presença do ex-governador Olívio Dutra, líderes políticos e representantes de movimentos sociais como Via Campesina e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CTG (Comando Geral dos Trabalhadores).

A distinção foi entregue pela deputada estadual Zilá Breitenbach (PSDB), presidente em exercício do Legislativo. Em discurso na ocasião, Edegar Pretto (que também dedica boa parte de seu mandato às questões defendidas por Eleonora) destacou as ações da homenageada em favor da causa das mulheres brasileiras. Ele mencionou a contribuição dela durante as duas gestões de Dilma no Palácio do Planalto.

Dentre as suas principais iniciativas na época estão avanços em políticas públicas como a implantação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres e o programa “Mulher, Viver Sem Violência’. Também atribuiu a ela a efetiva aplicação da Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio como crime hediondo, a regulamentação do Disque 180, os ônibus para atendimento às mulheres e o fomento e a implementação das secretarias ou coordenadorias municipais da mulher.

“O retrocesso de direitos após deposição de Dilma [2016] coincide com o aumento da injustiça contra as mulheres”, apontou Edegar Pretto, “os golpistas são machistas, misóginos, racistas e homofóbicos, além de contráros aos projetos sociais”.

A homenagem ganhou musicalidade na gaita tocada pelo deputado Zé Nunes (PT) durante a declamação da poesia de Severiano Telles, assessor de Pretto, com temática que estimula a denúncia de atos violentos praticados pelos “gaúchos bem machos”.

Desafio

Ao agradecer a homenagem, Eleonora Menicucci agradeceu a homenagem e registrou que Dilma Rousseff e os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro, bem como outros petistas históricos como Miguel Rossetto e Flávio Koutzi, também receberam a honraria.

Ela dedicou a Medalha às trabalhadoras rurais do Rio Grande do Sul, ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), executada há um ano. “Falar do direito das mulheres é falar da democracia plena e radical”, disse a ex-ministra, conceito que abriga a igualdade de gênero e a igualdade racial, “os pilares que sustentam esta sociedade capitalista, machista, misógina e escravocrata”, sublinhou.

Ela ressaltou, ainda, que durante os governos de Lula e Dilma (2003-2016), a ideia de “radicalizar a democracia” se deu por meio de programas e políticas públicas em que as mulheres passaram a ter direito de acesso e fazer parte do orçamento da União”, repercutindo através das políticas intersetoriais: “Isso foi fundamental para que elas fossem protagonistas de todas as políticas públicas”.

Para Eleonora, essa compreensão da luta de gêneros quebrou a invisibilidade feminina, “pois nós, mulheres, sempre participamos de todas as lutas do País”. Ela encerrou a sua fala, em tom de lamento: “Todos esses direitos, e digo isso com dor no coração, estão agora perdidos. O Brasil é o quinto país mais perigoso para as mulheres, segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde]”.

Trajetória 

Ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres de 2012 a 2015, durante os dois períodos de governo de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci acumula militância política na esquerda desde a década de 1970. Foi presa e torturada em São Paulo no período da ditadura militar.

Natural de Lavras MG), ela tem graduação em Ciências Sociais pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mestrado em Sociologia, doutorado em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo) e pós-doutorado em Saúde e Trabalho das Mulheres pela Faculdade de Medicina em Milão (Itália). Atualmente, é professora na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

(Marcello Campos)

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