Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de março de 2016
Diante da piora da crise política e do risco real de abertura de um processo de impeachment, ministros e petistas pressionam a presidenta Dilma Rousseff a fazer uma nova reforma na sua equipe, começando por colocar o ex-presidente Lula em um cargo-chave no governo. Além do convite a seu antecessor, Dilma foi aconselhada a fazer mudanças na política econômica e no comando da Justiça.
A avaliação é que a presidenta precisa dar uma “chacoalhada” em seu governo para transmitir a mensagem de que está disposta a corrigir falhas e conseguir, assim, novo fôlego no mercado financeiro e no Congresso. A mexida mais ampla, uma espécie de “começar de novo” nas palavras de petistas, é defendida também por Lula. Ele relatou a amigos que a presidenta está “muito abatida” e “sem forças” para reagir à crise. Segundo ele, caso esse cenário não mude, a presidenta, de fato, correrá risco de perder o cargo.
Dilma decidiu convidar Lula para ocupar um ministério para que ele tenha foro privilegiado e não fique nas mãos do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato na primeira instância. O convite foi feito durante jantar na terça-feira (08), no Palácio da Alvorada. O ex-presidente, a princípio, diz resistir à ideia por avaliar que passaria a imagem de estar fugindo da Justiça, mas ainda não deu sua palavra final.
Caso mude de posição e aceite o convite, interlocutores do ex-presidente afirmam que ele não poderia vir para um ministério lateral, mas para comandar uma pasta central, com participação direta nos rumos do governo. Aceitando ser ministro de Dilma, amigos de Lula dizem que ele poderia convencer nomes como os de Henrique Meirelles e Nelson Jobim para assumirem os ministérios da Fazenda e da Justiça.
O problema é que, segundo relatou Lula a interlocutores, Dilma está muito “abatida” e “demonstrando estar sem forças” para reagir. No jantar de terça, Lula inicialmente recusou o convite porque ele poderia ser interpretado como uma “confissão de culpa”. Segundo relatos, ele avaliou ainda que, mesmo que tivesse foro privilegiado, sua família poderia ser alvo de operações da Polícia Federal. Conforme interlocutores do petista, no entanto, ele deixou uma porta aberta para aceitar um convite, mas daria uma resposta apenas na próxima semana. (Folhapress)
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