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Política Diretor-geral da Polícia Federal é cotado para novo ministro da Justiça

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Para interlocutores, eventual ida de Andrei para o Ministério pode ser lida pelo Centrão como uma declaração de guerra. (Foto: Divulgação)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se movimenta para definir, nos próximos dias, um nome que substitua Ricardo Lewandowski no comando do Ministério da Justiça. A expectativa em Brasília é de que o atual ministro, que vinha demonstrando sinais de desgaste, deixe oficialmente o cargo já nesta semana, após a cerimônia no Palácio do Planalto que marcará os três anos dos atos do 8 de Janeiro. Lewandowski já comunicou ao presidente o desejo de encerrar sua passagem pela pasta.

Diferentemente de outras trocas ministeriais realizadas ao longo do governo, a escolha do novo titular da Justiça é tratada com cautela por Lula. Mesmo sem ter levado adiante a promessa de campanha de criar um ministério exclusivo para a área de segurança pública, o presidente avalia que precisa sinalizar ao eleitorado que o tema segue como prioridade. A segurança pública aparece como uma das principais preocupações da população e tende a ocupar espaço central no debate eleitoral deste ano.

Nesse contexto, um dos nomes mais citados nos bastidores é o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele ganhou projeção recente em razão de operações conduzidas pela PF e é visto como um quadro técnico com bom trânsito no governo. Até o momento, nem Lewandowski nem Andrei se manifestaram publicamente sobre a possibilidade de mudança.

Interlocutores do Palácio do Planalto, no entanto, ponderam que a eventual ida de Andrei para o Ministério da Justiça pode gerar desconforto político. A avaliação é de que o Centrão poderia interpretar a escolha como uma espécie de enfrentamento, justamente em um momento em que Lula busca manter o grupo político próximo, visando garantir apoio no Congresso e estabilidade até as eleições de outubro.

O receio de parte da articulação política é que Andrei, à frente da pasta, ficaria excessivamente empoderado. Além de comandar o Ministério da Justiça, ele poderia manter influência indireta sobre a Polícia Federal ao participar da escolha de seu sucessor. Esse cenário é visto com preocupação por parlamentares do Centrão, alguns deles alvos de investigações conduzidas pela PF, o que poderia tensionar ainda mais a relação com o governo.

Outro nome que aparece como alternativa é o do advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva. Ele chefiou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República em 2023 e 2024, já no atual governo, e é considerado um nome de confiança do presidente. Durante o governo Dilma Rousseff, em meio ao processo de impeachment, Wellington chegou a ser nomeado ministro da Justiça, mas permaneceu apenas alguns dias no cargo, em um contexto político bastante conturbado.

A definição do novo ministro deve levar em conta tanto critérios técnicos quanto o equilíbrio político necessário para a reta final do mandato. A decisão de Lula será observada de perto pelo Congresso, pelo Judiciário e pelo mercado, diante do peso institucional e simbólico do Ministério da Justiça. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)

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