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Esporte Diretor da Fifa renuncia após plano do presidente da entidade para vender “ações” da Copa do Mundo a investidores privados

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O plano apresentado por Infantino prevê a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar os principais ativos comerciais da Fifa.

Foto: Divulgação/Fifa
O plano apresentado por Infantino prevê a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar os principais ativos comerciais da Fifa. (Foto: Divulgação/Fifa)

Dois dirigentes da alta cúpula da Fifa criticaram nessa sexta-feira (31) o plano do presidente da entidade, Gianni Infantino, de vender uma participação nos negócios ligados à Copa do Mundo para investidores privados. Em protesto contra a proposta, Carlos Cordeiro, principal assessor da presidência da Fifa e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, anunciou sua renúncia ao cargo.

“Não posso permanecer em silêncio enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo”, afirmou Cordeiro em comunicado.

Ele classificou a proposta como “um mau negócio para o futebol” e afirmou que a medida colocaria em risco um dos ativos mais valiosos do esporte.

Outro integrante da cúpula da entidade, o diretor de operações Kevin Lamour, também criticou o projeto. Em declaração, ele afirmou que os funcionários da Fifa foram “enganados” pela falta de transparência na condução da proposta.

“Esse é o projeto de uma única pessoa”, escreveu Lamour, em referência a Infantino.

Apesar das críticas, o diretor de operações decidiu permanecer no cargo. No entanto, afirmou estar disposto a enfrentar as consequências por defender sua posição.

O plano apresentado por Infantino prevê a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar os principais ativos comerciais da Fifa, entre eles a Copa do Mundo e os Mundiais de Clubes masculino e feminino.

A proposta estabelece a venda de 20% dessa nova empresa para investidores privados.

Segundo a Fifa, o principal interessado é uma empresa de investimentos sediada em Nova York e fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para Carlos Cordeiro, a venda não encontra justificativa financeira. Segundo ele, a Fifa possui bilhões de dólares em caixa, não tem dívidas e arrecadou cerca de US$ 15 bilhões nos últimos quatro anos.

“É hipotecar o futuro do futebol sem uma justificativa convincente”, afirmou.

Gianni Infantino está à frente da Fifa há mais de dez anos e, até as últimas semanas, era considerado favorito para disputar a reeleição no pleito da entidade, previsto para o próximo ano. A Fifa estabeleceu o dia 18 de novembro como prazo final para o registro das candidaturas.

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