Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Discreto e negociador, o chefe de gabinete do governo tem como missão saciar o apetite de deputados e senadores por cargos

Compartilhe esta notícia:

Carlos Henrique Menezes Sobral é responsável por mapear os espaços que o governo tem à disposição para distribuir a aliados. (Foto: Divulgação/Ministério do Turismo)

Descrito como um hábil negociador, de trato fácil e temperamento expansivo, Carlos Henrique Menezes Sobral, chefe de gabinete do articulador político do governo, ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), é especialista em usar a boa retórica e a relação próxima que desenvolveu com políticos para saciar, sem perder a mão, o apetite de deputados e senadores por cargos na Esplanada.

Ele é responsável por mapear os espaços que o governo tem à disposição para distribuir a aliados. Costuma receber, diariamente, dezenas de parlamentares pidões em seu gabinete, sobretudo em momentos de troca de cargos, como o que ocorreu após a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer. O poder da caneta atribuído a Sobral lhe rendeu o apelido de “nomeador-geral da República”.

Ministros e assessores de Temer têm “muita confiança” em Sobral e se sentem “confortáveis” em lidar com ele. Não raro, é chamado ao gabinete do presidente para relembrar o histórico de cargos ou de posição em votações importantes de algum deputado. Sobral costuma saber tudo de cabeça.
“Ele é a memória do governo para os cargos do Executivo. E sabe de cabeça até aqueles carguinhos no interior do Brasil”, disse um assessor do Planalto, que pediu anonimato.

A discrição também está em seu DNA, como é típico de quem opera nos bastidores. Se a relação é amistosa e até de intimidade com parlamentares, é arredio quando o público-alvo é o de jornalistas. Avesso a aparições, não quis falar com a reportagem ao ser procurado para descrever seu método de trabalho.

Aos 50 anos, o sergipano natural da pequena Laranjeiras é cria do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que cumpre prisão domiciliar acusado de fraudes quando era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa. A proximidade com o ex-ministro e o bom trânsito com a cúpula do PMDB vieram através de um dos irmãos de Geddel, Afrísio Filho, que trabalhou com Sobral e o apresentou ao clã Vieira Lima.

Debaixo da asa de Geddel, foi aos poucos engordando a agenda de contatos no mundo político. Trabalhou com o ex-ministro na Integração Nacional, ainda no governo do ex-presidente Lula, passou pela diretoria do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) na gestão do ministro Gastão Vieira e virou assessor técnico da liderança do PMDB na Câmara, em 2014, quando o líder era o ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba.

Foi o outro irmão de Geddel, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), quem indicou Sobral para Cunha. O ex-deputado gostou do que ouviu ao entrevistá-lo e contratou o assessor, que depois foi levado para a presidência da Câmara. Esteve ao lado de Cunha durante o impeachment e só deixou a Câmara quando Temer assumiu a presidência, e Geddel seguiu para a Secretaria de Governo, para onde levou Sobral para ocupar a chefia de gabinete. De lá não saiu mais.

Durante a gestão Cunha, estreitou relações com deputados de diferentes colorações, mas em especial com aqueles do centrão, que naquele momento era a base de sustentação do peemedebista. No melhor estilo bon vivant, Carlos Henrique era mais do que um mero assessor: após o expediente, saía com deputados para festas e jantares. A boa impressão que causou lhe rendeu convites para as pescarias anuais promovidas pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), no Pantanal. Na volta de uma das viagens, satisfeitos com um peixe graúdo pescado, comemoraram com um jantar em Brasília. (AG)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário
O Superior Tribunal de Justiça nega fornecimento de remédio importado não registrado na Anvisa
Ministro nega aumento da tarifa de energia
Pode te interessar