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Brasil Documentos comprovam atuação de José Dirceu na Petrobras

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A Polícia Federal indiciará o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu até o início da próxima semana. (Foto: Wilson Dias/ABr)

A PF (Polícia Federal) arrecadou documentos, anotações e outros elementos que podem colocar em xeque a defesa do ex-ministro José Dirceu de que as consultorias que realizou por meio de sua empresa, a JD Assessoria e Consultoria, não tinham relação com contratos da Petrobras.

São anotações, documentos e correspondências que envolvem interesses de empresas privadas, multinacionais e nacionais, integrantes do cartel alvo da Operação Lava-Jato, na estatal petrolífera, com menções a contratos do setor naval (obras off-shore), como de navios-sonda, e unidades de refino (obras on-shore).

Material

Um dos elementos encontrados trata da relação de Dirceu em nome da multinacional asiática STX Offshore & Shipbuilding, sediado em Cingapura, em contratos envolvendo navios-sonda. O negócio envolveria a Transpetro (subsidiária da Petrobras comandada pelo PMDB) e também a Sete Brasil – empresa criada pela estatal em parceria com bancos, como o BTG, e fundos de pensão.

São duas folhas contendo dados de mensagem confidencial enviada em 17 de fevereiro de 2011, para a JD Assessoria e Consultoria Ltda, a partir de um fax identificado pelo nome “Conexão café”. Nela, conta as possibilidades de negócios e projetos para a empresa STX Brasil.

“Os assuntos de interesse para 2011 são: navios-sonda para a Petrobras através da Sete Brasil; Frota Integrada – padronização dos equipamentos dos navios da Transpetro; Super Guindaste para o Estaleiro Inhauma arrendado pela estatal; e Contratos de Fretamento de navios e lanchas pela Petrobras/Transpetro”, registra o documento de recolhimento do material, feito pela PF.

Provas

A anotação estava como o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo Oliveira e Silva, que era uma espécie de administrador e contato da empresa de consultoria do ex-ministro. Preso no dia 3 deste mês, ele foi solto dez dias depois pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava-Jato.

A PF considera ter encontrado importantes documentos relativos às atividades de Dirceu, como consultor, após deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005. Sua empresa recebeu 29 milhões de reais, de 2006 a 2013.

Outro item encontrado foi um cartão de apresentação da OAS em nome de “Ricardo Cabral Leal – International Corporate Director”, acompanhado de um manuscrito com referências à “São Sebastião”, “Of shore – Suplay”, “Terminal Balsas”.

As anotações do irmão de Dirceu também trouxeram elementos novos para os investigadores da Lava-Jato. Um deles contendo dados sobre instalações portuárias da Petrobras no Espírito Santo para operar logística offshore, anotaram os agentes federais, nos autos de apreensão da Pixuleco.

Há ainda no material uma carta escrita em duas folhas com “proposta de venda das instalações de armazenamento”, no Porto de Vila Velha (ES). Bem como do contrato de concessão para “operações privilegiadas de atracamento nos berços 201 e 202 do cais de Capuaba”.

Dirceu

Preso em Curitiba desde o dia 3 deste mês, alvo da Operação Pixuleco, na 17ª fase da Lava-Jato, Dirceu sempre negou publicamente ter feito consultorias em contratos da Petrobras. A JD Assessoria e Consultoria recebeu 29 milhões de reais. A Lava-Jato suspeita que boa parte seja dinheiro tenha origem em propinas.

A Polícia Federal vai indiciar o ex-ministro até o início da próxima semana e a previsão é que a Justiça Federal receba a denúncia criminal do Ministério Público Federal contra o ex-ministro nos primeiros dez dias de setembro. (AE)

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