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Economia Dólar volta a cair e fecha a R$ 5,44; Bolsa brasileira recua 0,13%

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Esse também é o maior valor para os três primeiros meses de um ano desde 1995. (Foto: Reprodução)

O dólar fechou em queda de 0,59% nessa terça-feira (8), cotado a R$ 5,4453. O Ibovespa, principal índice de ações da B3, recuou 0,13%, aos 139.303 pontos.

A perda do Ibovespa é reflexo do pessimismo dos investidores com ativos de risco, diante dos novos capítulos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O dólar perdeu força frente ao real após fortes ganhos na véspera, em uma sessão mais favorável a moedas emergentes — apesar das ameaças tarifárias.

Na segunda-feira (7), Trump prorrogou para agosto a volta das suas tarifas sobre importações, ampliando a janela de negociação com parceiros comerciais. A previsão era que as chamadas “tarifas recíprocas”, que atingiram mais de 180 países, voltassem a valer nesta quarta-feira (9).

Apesar disso, o adiamento não gerou alívio no mercado. As tensões aumentaram à medida que Trump mandou cartas para notificar os líderes de 14 nações sobre a cobrança de tarifas de 25% a 40% a partir do próximo mês, e disse que os EUA ainda enviarão notificações a mais países nesta semana.

Trump também voltou a ameaçar o Brics, afirmando que os países do bloco receberão uma tarifa de 10% “muito em breve”. Na véspera, o republicano já havia ameaçado uma taxa adicional a “qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics”.

A possível volta das tarifas preocupa o mercado devido à avaliação de que elas podem elevar os preços ao consumidor e os custos de produção, o que tende a aumentar a inflação e forçar o Fed (o banco central dos EUA) a manter os juros do país altos por mais tempo.

Segundo analistas, o vaivém dos mercados deve se intensificar nos próximos dias, com o aumento da incerteza com a política tarifária de Trump e pela falta de indicadores econômicos relevantes.

Trump

Trump enviou na segunda uma série de cartas para diferentes parceiros comerciais. O republicano estabeleceu alíquotas mínimas sobre produtos importados que vão de 25% a 40% e têm vigência a partir de 1º de agosto.

As cartas enviadas aos países seguem um padrão semelhante: Trump afirma que o gesto representa uma demonstração da “força e do compromisso” dos EUA com seus parceiros e destaca o interesse em manter as negociações, apesar do déficit comercial significativo.

Nessa terça, Trump também afirmou que os países do Brics vão receber uma tarifa de 10% “muito em breve”. Isso porque, segundo o republicano, o bloco estaria tentando prejudicar os UEA e substituir o dólar como moeda padrão global.

“Se eles quiserem jogar esse jogo, tudo bem, mas eu também sei jogar”, afirmou Trump a jornalistas durante uma coletiva na Casa Branca. “Qualquer país que fizer parte do Brics receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”, disse, acrescentando que isso deve ocorrer “muito em breve”.
Em resposta, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que os países do Brics são soberanos.

“Não aceitamos intromissão de quem quer que seja”, disse Lula. “Nós defendemos o multilateralismo”.

O republicano já havia antecipado a medida no domingo (6), indicando que aplicaria uma tarifa adicional de 10% a países que, segundo ele, “se alinharem às políticas antiamericanas do Brics”.

Trump não esclareceu o que considera “políticas antiamericanas” em sua publicação. Autoridades do governo americano dizem que não há um decreto sendo escrito e tudo depende dos próximos passos do bloco.

A declaração foi feita após o Brics divulgar a “Declaração do Rio de Janeiro”, que defende o multilateralismo e rejeita ações unilaterais, sem mencionar diretamente os EUA.

O documento também reforça o papel de instituições como a ONU e pede respeito ao direito internacional, posições que contrastam com a política comercial mais agressiva adotada por Washington.

A ameaça gerou reações imediatas. A China criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção, enquanto a Rússia destacou que o Brics “nunca atuou contra terceiros”. A África do Sul, por sua vez, afirmou que o bloco busca apenas reformar a ordem multilateral global, sem intenções de confronto.

A sinalização de Trump aumenta o risco de retaliações cruzadas e gera preocupações nos mercados sobre um possível novo ciclo de tensões comerciais globais, com impactos potenciais sobre a inflação e o crescimento econômico.

Na segunda, Trump também assinou um decreto que adia para 1º de agosto a data de retomada de seu tarifaço.

A suspensão de 90 dias das tarifas impostas pelo republicano estava prestes a expirar, nesta quarta-feira (9), e o baixo número de acordos firmados até o momento continua gerando preocupação.

Apesar da promessa de firmar acordos, Washington fechou apenas pactos limitados com o Reino Unido e o Vietnã.

A maioria dos países ainda tenta evitar as novas tarifas, que podem variar entre 10% e 50%. A União Europeia negocia para evitar sobretaxas em setores como agricultura, tecnologia e aviação, mas ainda enfrenta impasses com os EUA.

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