Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

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Mundo Donald Trump nega o aumento de casos de coronavírus e afirma: “Os Estados Unidos nunca irão fechar”

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Trump é candidato à reeleição nos Estados Unidos. (Foto: Andrea Hanks/The White House)

Com o número de casos de casos de Covid-19 saindo de controle nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem insistido no negacionismo da crise de saúde e vem tentando se descolar do problema.

Nas últimas duas semanas, as infecções cresceram 78% em meio à reabertura do país e à circulação de americanos durante as férias de verão. Mas Trump preferiu afirmar que o vírus é inofensivo, politizou a discussão sobre a reabertura de escolas, têm se envolvido na polêmica defesa de símbolos racistas e formalizou que o país deixará a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A ameaça de retirar os EUA da OMS vem sendo feita desde abril, mas na terça-feira (7) foi formalmente notificada à Organização das Nações Unidas (ONU). O americano acusa a OMS de ser leniente com a China e de ter tomado decisões erradas sobre o coronavírus. Os EUA são uma das principais fontes de financiamento da organização.

Depois de atingir o que parecia o pior momento, em abril, com cerca de 35 mil novos contaminados por dia, os EUA conseguiram desacelerar as infeções para a casa de 20 mil diagnósticos de Covid-19 a cada 24 horas em maio. Nas últimas três semanas, no entanto, o país assiste a curva de infecções acelerar novamente batendo o recorde diário de 57 mil casos de coronavírus nos primeiros dias de julho. Nesta semana, Trump disse que os EUA “nunca irão fechar”, pressionando pela continuidade da retomada econômica a despeito da situação de saúde.

O problema migrou da região de Nova York para Estados do Sul e Oeste do país, com surtos na Flórida, Texas, Arizona e Califórnia. Ao menos 40 dos 50 Estados americanos viram o número de casos per capita aumentar nos últimos 14 dias.

Trump tem argumentado que a mortalidade causada pelo vírus é baixa nos EUA, usando dados falsos. O presidente chegou a dizer que 99% dos casos eram “totalmente inofensivos”, contrariando a equipe médica do governo. A taxa estimada de mortalidade da Covid-19 nos EUA é de 4,5%, e não 1%, como o presidente sugere.

“É uma falsa narrativa ver conforto em uma taxa de mortalidade baixa”, disse o epidemiologista Anthony Fauci. Integrante da Força-Tarefa do governo Trump contra o coronavírus, Fauci é considerado o maior especialista no tema. Não foi a primeira vez que ele precisou corrigir uma informação do presidente.

Apesar do aumento dos casos, o número de mortes por dia no país tem caído. Segundo Fauci, isso se deve ao fato de que a nova leva de infecções atingiu os mais jovens – que foram os primeiros a se expor conforme as cidades iniciaram a retomada das atividades. A média de idade dos diagnosticados com Covid-19 caiu 15 anos, na comparação com a do início da pandemia, o que diminui o risco de morte.

“Mas há muitas outras coisas perigosas sobre o vírus”, disse Fauci. Especialistas alertam que mesmo quando o vírus não é mortal pode causar complicações de longo prazo e extensos períodos de internação. Além disso, epidemiologistas que apontam que o número de mortes registrado agora corresponde a infecções que aconteceram cerca de um mês atrás, quando o processo de reabertura tinha apenas iniciado.

Em férias de verão e diante dos sinais trocados sobre o vírus, com Estados promovendo a reabertura, americanos têm uma vida que já inclui ida a restaurantes, salões de beleza, encontros de grupos de amigos, praia e viagens de verão, enquanto especialistas tentam convencer a população de que o vírus não desapareceu. Os EUA “ainda estão até os joelhos na primeira onda” da pandemia, disse Fauci.

Os EUA têm quase 3 milhões de casos confirmados de coronavírus e mais de 130 mil mortes. Uma atualização do modelo estatístico do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington, projeta 208 mil mortes nos EUA até novembro. O modelo é o que tem embasado as políticas de saúde da Casa Branca.

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