Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de agosto de 2020
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu adiar as eleições nos Estados Unidos por temores de fraudes nas votações feitas por correio. Trump, que está atrás do candidato democrata Joe Biden nas pesquisas nacionais, formulou a sugestão como uma pergunta e argumentou que, com mais votos por correio, haveria fraude.
“Com a votação universal por correio, 2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história”, escreveu Trump. “Será uma grande vergonha para os EUA. Adiar as eleições até que as pessoas possam votar de maneira adequada, segura e protegida???”
O tuíte marcou a primeira vez que Trump levantou a ideia de adiar as eleições de novembro, o que ele anteriormente rejeitava em meio a preocupações com a pandemia do novo coronavírus.
Mas o presidente há semanas se opõe à expansão da votação por correio, que cada vez mais Estados adotam como alternativa à votação pessoalmente durante a pandemia. Trump não tem o poder de adiar as eleições unilateralmente, e depende da aprovação do Congresso para tanto.
Republicanos
Uma possível reeleição de Donald Trump não é certa – pesquisas mostram o atual presidente atrás do candidato do Partido Democrata, Joe Biden –, mas o pleito de 2020 poderá solidificar uma nova fase do Partido Republicano com a marca de Trump pelos próximos anos.
Após a vitória de 2016, uma nova bancada presidencial tomou forma, composta por candidatos como o Secretário de Estado Mike Pompeo, mais alinhados ao estilo de política de Trump. O mesmo aconteceu na Câmara e no Senado, já que de 2017 para cá quase metade da Conferência Republicana da Câmara se aposentou, renunciou, foi derrotada ou está se aposentando. A maioria dos recém-chegados do partido ao Congresso são alinhados a Trump.
“Donald Trump concorreu em 2016 e inundou um vasto campo de republicanos conservadores mais convencionais. Ao fazer isso, ele não se limitou a ganhar a nomeação e embarcar no caminho para a Casa Branca. Ele afastou os republicanos de quatro décadas de conservadorismo de grandeza nacional ao estilo [Ronald] Reagan para um novo evangelho de populismo e nacionalismo”, diz Gerald F. Seib, editor do Wall Street Journal e autor do livro “We Should Have Seen It Coming: From Reagan to Trump – A Front-Row Seat to a Political Revolution” (“Deveríamos ter previsto: De Reagan a Trump – Um assento na primeira fileira para uma revolução política”, em tradução livre).
O especialista ressalta que essa mudança vinha crescendo há algum tempo. Pat Buchanan, Ross Perot, Sarah Palin, Mike Huckabee, o Tea Party e um debate cada vez mais acirrado sobre a imigração foram os primeiros sinais de que uma nova porta estava se abrindo no partido.
“Trump simplesmente avançou”, acrescenta Seib, que destaca que o presidente entendeu que as antigas prescrições de conservadorismo econômico do partido não funcionaram para seus novos aliados da classe trabalhadora.
As mudanças começaram pela base: novo discurso e novos eleitores para o Partido Republicano. A campanha eleitoral de Trump em 2016 conquistou americanos brancos de classe operária e áreas rurais – uma mudança em relação ao eleitor republicano típico, mais rico, com maior nível de formação e mais cristão.
“A base é um pouco diferente do que era há um ou dois ciclos, e Trump tem muito a ver com isso. São pessoas que estão impacientes, estão procurando coisas para serem feitas”, diz o estrategista republicano Bill McCoshen.
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