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Economia Dos 62 milhões de brasileiros inadimplentes contabilizados em março deste ano, 12% eram jovens de até 25 anos

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(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Depois de quase dois anos em isolamento social, as pessoas estão voltando às ruas para trabalhar e, principalmente, aproveitar os momentos de lazer. Entre os mais jovens, o desejo é ainda maior. Com o retorno de shows, a reabertura de boates e a extensão do horário de funcionamento de bares e restaurantes, muitos estão comprando ingressos e se reunindo com os amigos. No entanto, boa parte deles está endividada e pode se enrolar ainda mais.

Segundo uma pesquisa feita pela Serasa Experian, dos 62 milhões de brasileiros inadimplentes contabilizados em março deste ano, por exemplo, 12% eram jovens de até 25 anos. Para Ana Beatriz Moraes, economista e professora do Ibmec RJ, uma das melhores formas de controle financeiro é ter prioridades quando o assunto é entretenimento e saber usar o cartão de crédito:

“Certamente, os jovens estão ansiosos pela abertura das áreas entretenimento e pela volta dos eventos. Mas esse dinheiro é finito. Uma das formas de resolver é listar os shows e lugares para ir. Outra coisa que deve ser avaliada é o uso do cartão de crédito. Para não se perder nos gastos, jovens devem procurar pagar os ingressos de shows e as contas de bares e restaurantes com débito ou em espécie.”

Daniel Medeiros, de 23 anos, é estudante de Direito e estagia em um escritório de advocacia. O rapaz, que se considera uma pessoa que gasta muito, conta que seus maiores gastos são com alimentação e saídas com amigos, mas quando a situação aperta, pega emprestado.

“Quando me enrolo, pego dinheiro emprestado com algum amigo, mas devolvo no mês seguinte. Eu vejo que gasto muito com alimentação, contas de casa e passagens, mas principalmente com as saídas. A cervejinha de todo fim de semana pesa no bolso”, disse ele que, há alguns meses, morava sozinho, mas voltou a viver na casa dos pais: “Economizei um pouco mais, porque nós dividimos a maioria das contas.”

Quando se fala em contas a pagar, sempre vem um significado negativo. No entanto, segundo Beatriz Santos, fundadora e diretora executiva da Barkus Educadional, é preciso se planejar mensalmente. Assim, não tem espaço para o desequilíbrio financeiro, e o consumidor ainda consegue guardar uma quantia, além de aproveitar bem os momentos de lazer.

“Dívidas não são necessariamente ruins, depende da utilidade e prazo daquilo que foi comprado e também do quanto cabe no planejamento financeiro mensal. Em caso de dívidas planejadas, é possível separar uma parte da renda para guardar e, claro, também se divertir. O mais importante é saber o quanto ganha, o quanto gasta e quais dívidas possui” afirma Beatriz, que dá dicas de como fechar o ano com a vida financeira saudável:

“Estabelecer os objetivos financeiros e de vida ao longo do ano, gera uma motivação. A partir disso, é importante estimar o salário e os seus gastos em categorias, pensando nos próximos meses.”

Quem precisa fazer malabarismos todos os meses com as contas é Letícia da Silva, de 25 anos. A administradora de empresas, que está com o nome em órgãos de proteção de crédito, conta que não sabe quando vai conseguir quitar as dívidas, sobretudo agora que está desempregada.

“Quando o mês não fechava, costumava parcelar, pagar uma conta e deixar outra em aberto. Agora, desempregada, infelizmente não pude pagar nenhuma conta que eu pagava regularmente. No momento, meu nome está restrito, e sabe lá Deus quando vou regularizar”, conta a jovem, que é casada, tem um filho de 1 ano.

Ela passou a fazer planos a partir da chegada do bebê: “Tenho que pensar em mais uma pessoa. Então, guardo dinheiro para ele todos os meses. Tive que reorganizar tudo, dividir dinheiro para as compras, que estão um absurdo, e os gastos com a casa. Agora, vejo o futuro com outros olhos e quero instruir meu filho a como se organizar financeiramente para evitar esse problema.” As informações são do jornal O Globo.

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