Terça-feira, 26 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil “É melhor que a situação de Lula seja definida o mais cedo possível”, disse ministro do Supremo

Compartilhe esta notícia:

"Em nome da segurança jurídica e da estabilidade do jogo democrático, é melhor que se defina", declarou. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

“Eu quero falar do Brasil, quero falar de coisas boas, a gente precisa de uma nova narrativa, um outro País”, afirma o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ao receber a reportagem da BBC Brasil no seu gabinete, nesta semana. “Eu falo das coisas que você quer falar, tá bom assim? Mas você vai me deixar falar que a gente precisa imaginar o futuro”, propõe, diante da insistência da reportagem em abordar as controvérsias do presente.

Trato feito, Barroso respondeu a todas as perguntas, em uma hora e meia de entrevista. Mesmo um pouco resistente, fala sobre o que possivelmente será a questão mais polêmica das eleições de 2018 – a possibilidade ou não do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar a Presidência da República.

O petista, hoje líder nas pesquisas, corre o risco de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirme a condenação do juiz Sergio Moro, que concluiu que ele recebeu um apartamento tríplex no Guarujá (SP) em troca da promoção de interesses da empreiteira OAS junto à Petrobras.

A defesa de Lula nega e diz que seu cliente não está sendo julgado com isenção – um dos indícios disso, segundo aliados do petista, é o fato do processo no TRF-4 ter andado com mais celeridade que os outros casos da Lava-Jato. Em resposta aos advogados, o presidente da corte, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, negou isso – 1.326 apelações foram julgadas pelo tribunal em um tempo inferior apenas neste ano, afirmou.

Segundo Barroso, o melhor é que a indefinição sobre a candidatura se esclareça, e que se defina o mais cedo possível quais vão ser as regras e quem vai poder ser candidato. Se Lula for condenado pelo TRF-4, ainda poderá tentar concorrer com uma decisão do STF ou do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde o ministro assume uma vaga efetiva em fevereiro. “Portanto, acho que, em nome da segurança jurídica e da estabilidade do jogo democrático, é melhor que se defina o mais cedo possível quais vão ser as regras, quem vai poder ser candidato. Eu não acho que isso seja problema, nem indício de perseguição, acho que é um momento de prudência”, avaliou.

Ao responder sobre a baixa confiança que a população brasileira tem hoje no Supremo, apontada por pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas), Barroso fez críticas à decisão da corte de autorizar que o Senado derrubasse o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o que chamou de “semissuicídio institucional”.

“Há 650 mil presos no sistema penitenciário brasileiro. Poucas pessoas estão presas com tanta prova como havia nesse caso”, resume.

Ao final da entrevista, o ministro expõe suas propostas para o futuro do Brasil, listando o que acredita ser essencial para o país construir sua “nova narrativa”. A gama de propostas é ampla e lembra uma plataforma de campanha presidencial.

Questionado sobre ter o desejo de um dia se candidatar, responde “zero”. “Se eu me deixasse seduzir por essa possibilidade, isso retiraria autoridade em tudo que eu faço e do que eu falo, porque aí, a partir de agora, todo mundo poderia imaginar que eu tenha algum interesse oculto.”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Protestos indígenas interrompem rodovias no Rio Grande do Sul
Anvisa suspende lote de medicamento para câncer de mama
Pode te interessar