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Variedades Eike Batista, do auge à prisão, ganha cinebiografia

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Nelson Freitas não procurou imitar hábitos e trejeitos de Eike Batista; empresário não foi consultado para a realização do filme. (Foto: Divulgação)

Eike Batista terá sua vida adaptada para as telas. O empresário, que recorre em liberdade de condenações por crimes contra o mercado, será interpretado pelo ator Nelson Freitas em “Eike – Tudo ou Nada”. O filme é baseado na biografia da jornalista Malu Gaspar, publicada pela editora Record em 2014, que repassou a trajetória daquele que chegou a ocupar o posto de sétimo homem mais rico do mundo.

A adaptação cinematográfica enfoca o período compreendido entre 2006, ano de surgimento da petroleira OGX, em meio ao entusiasmo nacional com a descoberta do pré-sal, até a sua derrocada, culminada com a prisão do empresário, em 2017.

Para chegar a esse ângulo dramatúrgico, o roteiro recebeu mais de 13 tratamentos, supervisionados pela experiente produtora Mariza Leão, da Morena Filmes. Roteiro e direção são assinados pelos jovens cineastas paulistas Andradina Azevedo e Dida Andrade. A dupla formada na faculdade de cinema da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) surgiu com os longas “A Bruta Flor do Querer” e “30 Anos de Blues”, premiados no Festival de Gramado, com Leão no corpo de jurados.

Diante da pandemia e da impossibilidade de realizar filmagens em múltiplas cidades e países, optou-se pelo recorte centrado na ascensão e queda não apenas do empresário, mas do próprio país. As filmagens começaram em agosto no Rio e vão até a próxima semana. “Decidimos iniciar a trama naquele momento de euforia em que o Brasil iria receber Copa e Olimpíadas e o Eike encarnava essa promessa de um país que se tornaria a maior nação do mundo”, conta Azevedo. “Da derrota de 7 a 1 em diante, parece que caíamos na realidade, até chegarmos nessa decadência e nas crises política e econômica.”

Outras personagens também foram inspiradas em figuras reais, como a modelo Luma de Oliveira (vivida por Carol Castro), com quem Eike foi casado. Outro exemplo é o do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (André Mattos), a quem o empresário teria pagado propina, de acordo com a denúncia da Operação Lava Jato que resultou em sua prisão. Também foram criados papéis ficcionais, como um investidor de classe média que perde todo o seu dinheiro ao apostar nas ações da OGX. No centro dos holofotes está o multimilionário, na interpretação de Nelson Freitas, que tem desempenhado mais trabalhos dramáticos após longo período na comédia, no programa “Zorra Total”.

Na introdução de seu livro, Gaspar questiona: seria Eike um mentiroso compulsivo ou um empreendedor genial, um homem à frente de seu tempo ou um estelionatário? Os produtores do filme, Leão e seu filho Tiago Rezende – que idealizou o projeto -, dizem apostar suas fichas nesse caráter contraditório e fascinante dessa figura de cunho shakespeariano. Aos diretores interessa explorar essas múltiplas camadas a fim de evitar as obviedades e transitar entre o humor e o patético. Eles vêm do cinema underground, mas Andrade afirma: “Queremos que o filme seja claro como um desenho animado da Peppa Pig, para chegar até o motoboy e a dona de casa”.

Consciente da responsabilidade de interpretar uma pessoa real e ainda viva, Nelson Freitas diz que pesquisou farto conteúdo sobre o empresário. Porém, sob orientação dos diretores, não procurou imitar hábitos e trejeitos reais. Também foi necessário, para criar sua própria composição, evitar quaisquer pré-julgamentos: “Não cabe a mim avaliar se ele foi mentiroso ou verdadeiro, se as suas obras foram positivas ou negativas para o Brasil”, afirma. “Para isso, existem a Justiça e os órgãos competentes, a própria história e o tempo vão dizer.”

A intenção dos realizadores, portanto, é construir uma obra de ficção o mais próxima possível dos fatos e acontecimentos, com algum grau de liberdade criativa. O empresário não foi consultado para a realização do filme, lhe restando, de acordo com a lei, a prerrogativa de entrar com um processo, caso se sinta lesado.

Um seguro foi feito para proteger a produção dessa eventualidade. “O Eike resume não só uma época de bonança e irresponsabilidade, mas também a nossa triste mania de acreditar em mitos e soluções fáceis”, avalia Malu Gaspar. “O brasileiro adora acreditar em pirâmides, financeiras e políticas, e o Eike é o nosso exemplo mais vistoso e ousado disso.”

Com estreia prevista para meados de 2022, “Eike – Tudo ou Nada” possui orçamento de R$ 9 milhões em recursos inteiramente incentivados, levantados antes da paralisação dos mecanismos de renúncia fiscal pelo governo federal.

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