Quinta-feira, 16 de abril de 2026

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Política Eleições 2026: disputa faz com que candidatos optem por alterar domicílio

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Tal decisão envolve discussões internas de cada partido e estratégia na escolha por estados mais alinhados aos princípios do cacique de cada legenda

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A data está prevista no calendário eleitoral e corresponde ao prazo de seis meses antes do primeiro turno. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em outubro deste ano os brasileiros vão às urnas escolher não só o próximo presidente da República, mas também governadores e quem irá compor o Congresso Nacional pelos próximos quatro anos.

Para esse tabuleiro, alguns candidatos optam por mudar seus domicílios eleitorais. É o caso, por exemplo: do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), do RJ para SC; da ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva (Rede), do AC para SP; e da ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet (MDB), do MS para SP.

Tal decisão envolve uma série de fatores, como, por exemplo, a quantidade de vagas por estado para cada cargo. No caso de candidaturas ao Senado Federal, neste ano cada estado elegerá dois novos candidatos para as três cadeiras previstas. Para deputados federais esse número varia de acordo com a quantidade de habitantes de cada unidade da federação.

O cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Leonardo Paz Neves diz que são alguns componentes que fazem com que um determinado político escolha mudar de domicílio eleitoral.

“De maneira geral, o mais óbvio é a disputa no partido. Muitas vezes numa mesma legenda tem dois, três caciques políticos, ou pessoas que estão ambicionando mais ou menos as mesmas legislaturas e, saindo do nível de vereador e deputado estadual para cima, tem relativamente pouco espaço”, argumenta o cientista político.

Ele relembra ainda o caso da família Sarney. “Você teve o ex-presidente José Sarney indo para o Amapá disputando o Senado e deixa a filha dele, a Rosana Sarney, no Maranhão. Então, eles não ficam disputando consigo mesmos as vagas no Senado”, cita Paz Neves.

Eduardo Grin, professor da FGV, diz que Sarney passou duas décadas sendo parlamentar pelo Amapá “porque pelo cálculo político seria mais fácil o MDB, partido dele, ter um senador num estado, em tese, menos difícil”.

“Então é sempre esse o cálculo, agora é claro, precisa ter uma estratégia partidária bem definida”, prossegue Grin. Uma outra questão levantada por Paz Neves é o “posicionamento do eleitorado de cada praça”.

No caso específico de Carlos Bolsonaro, que já anunciou que disputará o Senado por Santa Catariana, os dois professores lembram que essa é uma região bem alinhada aos pensamentos e ideologias da família Bolsonaro.

“Ele até poderia ser eleito no Rio de Janeiro, mas com mais dificuldade, porque no Rio de Janeiro tem outros candidatos com potencial eleitoral”, pontua Eduardo Grin. “O cálculo é sempre pensar onde será mais viável o partido atingir sua estratégia”, acrescentam os professores. A conjuntura toda, de acordo com Paz Neves, é formada por espaço dentro do partido, disputas internas e competitividade em cada estado.

“Tem o espaço dentro do partido, sua disputa por determinadas vagas, tem a disputa com outras personalidades de alta estatura e com muita competitividade na sua praça eleitoral que vão te deslocar. Ou você busca o eleitorado em que você acha que você tem uma alta chance de ganhar naquela praça”, destaca o cientista político.

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cada candidato precisa registrar o domicílio eleitoral no local em que pretende concorrer há pelo menos seis meses antes da data da votação. É preciso também que a filiação partidária seja aprovada no mesmo prazo.

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