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Eleições 2026 Eleições 2026: estímulos de Lula à economia em ano de eleição têm impacto reduzido

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A avaliação de analistas é que o pacote ajudou a sustentar a atividade, evitando uma desaceleração mais intensa da economia, mas não com força para promover uma reaceleração durante o período de campanha eleitoral. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estimular a economia no ano em que tenta a reeleição foi, em grande parte, frustrada nas mesas de análise de crédito dos bancos e pela “ressaca” de consumidores que já chegaram ao limite do endividamento.

Uma série de medidas, envolvendo aumento de renda e expansão do crédito, prometia impulsionar a atividade em mais de R$ 200 bilhões — o equivalente a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, porém, o impacto efetivo — o que de fato se converteu em crescimento econômico — é estimado entre R$ 90 bilhões e R$ 130 bilhões, segundo exercícios de economistas consultados.

A avaliação de analistas é que o pacote ajudou a sustentar a atividade, evitando uma desaceleração mais intensa da economia, mas não com força para promover uma reaceleração durante o período de campanha eleitoral.

Após isentar do Imposto de Renda trabalhadores com salários de até R$ 5 mil — cuja transmissão à atividade é mais direta por colocar mais dinheiro nas mãos de quem consome —, o governo tentou manter a economia aquecida com novas linhas especiais de financiamento, ao mesmo tempo em que buscava reabilitar consumidores ao mercado de crédito com o Desenrola, o programa de renegociação de dívidas.

O efeito, porém, não foi o mesmo: os brasileiros já estavam bastante endividados — muitos, com contas em atraso —, e os bancos mostraram pouca disposição em assumir risco, mesmo com a cobertura de fundos garantidores.

Apesar dos números, os ministérios envolvidos com os pacotes de crédito preferiram destacar outros programas que estão dentro do planejado. O crédito habitacional, dizem eles, já resultou em 290 mil contratos do Minha Casa, Minha Vida, além de 155,1 mil operações do Reforma Casa Brasil. Segundo o Ministério das Cidades e a Caixa, a ampliação do público atendido e das faixas de renda, incluindo a criação da faixa 4, tem ocorrido conforme as metas previstas.

O BC começa a ganhar queda de braço?

Antes mesmo de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrar, na terça-feira, 1, um PIB menos apoiado pelo consumo das famílias — que caiu 0,4% no segundo trimestre —, economistas já vinham revisando para baixo as projeções de crescimento e passaram a colocar no radar o risco de recessão técnica. A percepção é que, enfim, o Banco Central (BC) começa a ganhar a queda de braço com a política fiscal expansionista.

“O governo tentou, como pôde, estimular os gastos desde o ano passado, especialmente com medidas microeconômicas. Mas estamos com as taxas reais de juros mais altas em 20 anos; não tinha como ser diferente. A conta poderá ser uma desaceleração mais forte no ano que vem”, comenta Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Segundo Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, uma parte relevante dos estímulos foi absorvida pelo pagamento de dívidas — em um contexto de juros altos — e não se converteu em consumo adicional. Em suas contas, o conjunto de medidas anunciado pelo governo para impulsionar a economia deve contribuir com cerca de 1 ponto porcentual do crescimento do PIB neste ano. Responde, assim, por praticamente metade da expansão projetada, mas fica abaixo do impacto potencial, estimado por ele em 1,4 ponto porcentual.

“Os estímulos ajudaram a apoiar a economia, mas tiveram uma eficiência abaixo da esperada por conta da política monetária bastante restritiva. Talvez o crescimento do PIB não seja puxado pelo consumo das famílias, como havia sido previsto, e tenha maior participação da exportação de produtos primários”, comenta o consultor da Manchester.

O especialista em contas públicas do Santander, Ítalo Franca, concorda que o impacto efetivo das medidas lançadas em apoio à atividade em 2026 tende a ser bem menor do que o seu potencial, estimado pelo banco em R$ 220 bilhões (1,5% do PIB). “Essas medidas atuam mais como um amortecedor da perda de ritmo da atividade do que como um vetor de reaceleração significativa do crescimento”, observa Ítalo.

De acordo com o economista, se a execução das linhas de crédito ficar abaixo do inicialmente previsto, o impulso sobre a demanda tende a ser menor e reduzir marginalmente as pressões sobre a inflação. Ele, contudo, evita superestimar o efeito disso nas decisões de política monetária, que levam em conta um cardápio muito mais amplo de variáveis, como mercado de trabalho, câmbio, preços de commodities, condições financeiras e política fiscal. Com informações do portal Estadão.

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