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Política Elogio de Trump, tour na Casa Branca, três horas de reunião: como foi o encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva à imprensa após o encontro com Trump na Casa Branca. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve reunido, na quinta-feira (7), por cerca de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira visita oficial à Casa Branca durante a gestão trumpista. Os dois fariam uma declaração conjunta à imprensa do Salão Oval após o encontro, mas a coletiva de imprensa foi cancelada após o próprio Lula pedir mudanças na dinâmica prévia da reunião.

Ao falar com jornalistas do lado de fora da Casa Branca, Trump elogiou Lula, dizendo que ele era “bom homem” e “um cara inteligente”.

“Tivemos uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Estamos fazendo muito comércio e vamos aumentar ainda mais esse comércio. Falamos sobre tarifas. Falamos também que, sabe, eles gostariam de algum alívio nas tarifas. Mas tivemos uma reunião muito boa”, afirmou.

“Ele é um bom homem. É um cara inteligente.”

Já na embaixada do Brasil, Lula disse ter saído “muito satisfeito da reunião” e comentou sobre as imagens do encontro, em que ele e o presidente americano posam sorridentes.

“Eu sempre acho que a fotografia vale muito. Eu fiz questão de dizer: ‘Ria’. É importante. Alivia. Alivia a nossa alma a gente rir um pouco”, comentou durante a coletiva de imprensa.

Segundo Lula, os falaram sobre terras raras e minerais críticos, as tarifas americanas aos produtos brasileiros importados pelos EUA e estratégias de combate ao crime organizado.

Lula chegou à Casa Branca por volta de 12h20 (horário de Brasília) e foi recebido por Trump diante da residência oficial do presidente americano, onde trocaram cumprimentos.

O brasileiro foi acompanhado dos ministros Márcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alexandre Silveira (Minas e Energia do Brasil), Dario Durigan (Fazenda), Wellington César (Justiça e Segurança Pública) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

Já o americano levou seu vice, J. D. Vance, a chefe de gabinete, Susie Wiles, os secretários de Comércio e do Tesouro, Howard Lutnick e Scott Bessent, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.

A agenda inicial previa que os dois líderes falariam primeiro com a imprensa e depois seguiriam para a reunião bilateral. Mas a ordem foi alterada a pedido da delegação brasileira.

Segundo apurou a BBC News Brasil, a alteração ocorreu após a experiência da viagem de Lula à Malásia, em outubro do ano passado, quando Lula e Trump tiveram seu primeiro encontro oficial.

Na ocasião, a conversa com a imprensa aconteceu antes da reunião oficial entre os presidentes e foi marcada por muitas perguntas dos repórteres.

Na Malásia, o presidente brasileiro demonstrou incômodo com a situação. Em um dos momentos, Lula interrompeu a sessão de perguntas e afirmou que era preciso primeiro realizar a reunião “para poder ter o que falar”.

A avaliação do governo brasileiro, segundo fontes ouvidas pela reportagem, foi a de que faria mais sentido inverter a dinâmica desta vez, com conversa reservada dos presidentes antes de responder às perguntas da imprensa.

Na reunião, Lula e Trump conversaram por pouco mais de uma hora a portas fechadas. Como ressaltou Trump, os temas tratados foram variados, com destaque para questões de comércio e, particularmente, tarifas comerciais.

O presidente americano também levou Lula para fazer um pequeno tour pela parte de fora da Casa Branca. No local, há retratos de todos os presidentes norte-americanos. Nas fotos do momento, é possível ver Lula e Trump dando risadas em frente aos retratos.

Em seguida, Lula e Trump seguiram para o almoço. De entrada, foi servida uma salada de alface-romana, jicama, gomos de laranja, abacate com molho cítrico. O prato principal foi bife grelhado com purê de feijão-preto, mini pimentões-doces e relish de rabanete com abacaxi. De sobremesa, pêssegos caramelizados e torta de panna cotta com mel, acompanhados de sorvete de crème fraîche.

Encerrado o almoço, havia a expectativa de uma declaração conjunta à imprensa, que foi cancelada — o motivo não foi informado até o momento pela Casa Branca ou o Planalto.

A gestão Lula tinha duas prioridades na reunião com Trump: evitar a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros e conseguir algum tipo de parceria na área de combate ao crime organizado.

Em relação ao tarifaço, o presidente brasileiro disse que propôs a criação de um grupo de trabalho para equacionar divergências que ainda existem entre os dois países. A ideia é que técnicas de ambos os lados se reúnam e, em 30 dias, proponham um acordo.

“Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto”, disse Lula, referindo-se a Trump.

“Nós dissemos pra ele: Não, porque nós temos a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%, apenas 2,7%. Mas eles continuam teimando: ‘Não, mas tem produto que é 12%’.”

“Então eu falei assim: Doutor Trump, vamos fazer o seguinte. Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço, da indústria e do comércio do Brasil, junto com teu moço do comércio, sentem e em 30 dias apresentem uma proposta pra gente poder bater o martelo”, relatou Lula.

“Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder.”

Em relação ao combate ao crime organizado, a comitiva brasileira falou durante o encontro sobre as iniciativas do país no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

A ideia era se antecipar à intenção de parte do governo Trump de designar facções criminosas brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Esse era considerado um dos temas mais sensíveis na relação entre os dois governos, especialmente diante da divulgação na quarta-feira (6/5) da nova estratégia de contraterrorismo americana, que passou a considerar os cartéis de drogas como alvo principal, à frente, por exemplo, de milícias jihadistas como Estado Islâmico (EI) e Al Qaeda.

Há meses Trump tem defendido que organizações criminosas ligadas ao narcotráfico sejam consideradas terroristas.

A medida, na visão do Planalto, abriria espaço para interferências dos Estados Unidos em território brasileiro, como ocorreu no ano passado com embarcações venezuelanas, bombardeadas sob acusação de estarem transportando drogas, algo que não foi comprovado.

Depois desses ataques, o governo americano invadiu a Venezuela e prendeu o presidente Nicolás Maduro em janeiro.

Esse tema, contudo, não foi discutido entre os dois presidentes, segundo Lula.

Outro assunto sensível que também foi falado entre os dois foi o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro, o Pix, que há quase dez meses é alvo de uma investigação comercial nos EUA.

O Pix havia sido mencionado recentemente, em um relatório de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas americanas.

“Ele não tocou no assunto do Pix, então eu também não toquei”, comentou Lula. As informações são da BBC News.

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