Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de janeiro de 2019
Em campanha para se reeleger na presidência da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) conseguiu na quarta-feira (02) o apoio do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, e do PRB.
O PSDB indicou que também estará ao lado do deputado do DEM na disputa que acontece no dia 1.° de fevereiro. O avanço de Maia foi bem recebido pelo mercado e pelo novo governo e visto como força para a votação de reformas, especialmente a da Previdência. A Bolsa fechou com forte alta, 3,56%, e o dólar em queda de 1,83%, sendo vendido a R$ 3,8046.
O acordo com o PSL foi fechado após uma reunião de Maia com o deputado Luciano Bivar (PE), presidente da sigla. Bivar disse que o partido, que tem 52 deputados eleitos, vai comandar a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), de Finanças e a segunda-vice-presidência da Câmara.
A divulgação do acordo desagradou a parte da bancada do PSL, mas surtiu um efeito imediato no cenário político. O PRB retirou a candidatura do deputado João Campos e declarou apoio a Maia. Em seguida, o líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MS), reconheceu que os tucanos devem seguir o mesmo caminho.
O reflexo na área econômica do novo governo ocorreu no mesmo dia em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, recebeu o cargo com a promessa de que a reforma da Previdência será “o primeiro e maior desafio a ser enfrentado”.
Na visão do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida – que permanece no cargo na gestão Bolsonaro –, o fortalecimento de Maia é “algo importante” e que “ajuda” na aprovação da reforma da Previdência. O futuro secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, foi na mesma linha e afirmou que o apoio da bancada do PSL à Maia é uma “ótima notícia” para as negociações em torno da reforma da Previdência.
Para o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade, a continuidade Maia na presidência da Câmara dos Deputados “facilitaria” a aprovação de reformas no novo governo. “Ele já conhece bem o debate.”
Após saber do anúncio do PSL, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o governo não vai interferir na disputa no Congresso. “Desde que venceu a eleição, o presidente Jair Bolsonaro tem dito que não deve interferir na disputa do Congresso. Não haverá intervenção”, afirmou Onyx.
Apesar da declaração do ministro, nos bastidores integrantes do primeiro escalão mostram dúvidas sobre como será o alinhamento de Maia ao novo governo. “Ninguém vai defender mais a agenda econômica de Bolsonaro do que eu”, disse o presidente da Câmara ao Estado, recentemente. “Eu acredito e vou defendê-la onde estiver.”
Bolsonaro foi aconselhado a não ficar contra Maia, para não sofrer reveses no Congresso. “Vamos continuar dialogando com todos os partidos”, insistiu Onyx, que ontem chegou a pregar um “pacto político” em torno de propostas para o Brasil, como a reforma da Previdência.
MDB
A decisão do PSL, no entanto, irritou dirigentes do MDB. Isso porque o partido negociava com o candidato do DEM a formação de um bloco que incluía também o PP. As duas legendas, porém, almejavam justamente as comissões e cadeiras prometidas por Maia ao partido de Bolsonaro. Os emedebistas agora prometem retaliação ao que classificam de “trapaça” de Maia e acusam o PSL de aceitar o “toma lá, da cá”.
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