Sábado, 19 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de julho de 2015
Em meio à crise política enfrentada pelo governo, o PSDB fez sua convenção nacional em clima de campanha e previu o fim precoce do governo Dilma Rousseff. Os principais líderes tucanos disseram que a sigla está pronta para “ir até o fim” e assumir o comando do País.
O partido teme ser acusado de golpista, mas optou por uma postura agressiva para não repetir o que avalia ser um erro do passado. Em meio ao escândalo do mensalão, em 2005, a sigla resistiu à pressão para encampar o pedido de impeachment do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reeleito para o comando da maior legenda de oposição do País, o senador Aécio Neves (MG) disse que o PSDB terá “coragem para fazer o que tem que ser feito” e que deve se preparar porque, “em breve”, deixará de ser oposição para “ser governo”.
“[O PSDB] não pode temer o futuro. (…) Hoje somos a oposição a favor do Brasil. Mas se preparem. Dentro de muito pouco tempo, não seremos mais a oposição, vamos ser governo. O PSDB é o futuro”, concluiu.
O evento, realizado neste domingo (5), em Brasília (DF), aconteceu a poucos metros da residência oficial da presidenta. E mesmo as vozes tradicionalmente moderadas da legenda fizeram ataques diretos ao PT e ao governo.
Sem citar Dilma nominalmente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que o petismo está “no fundo do poço”. “Ficou claro que o PT não gosta de pobre, não gosta do social. O PT gosta é de poder, a qualquer custo”, disse o paulista.
Ele falou em “tragédia” política e disse que Lula tenta jogar “nos ombros do povo” seus próprios erros. “Mas olha, Lula, o povo brasileiro não é bobo. Criaram a doença e agora estão querendo matar o doente.”
Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a tese de que os tucanos estarão, “a depender das circunstâncias, prontos para assumir o que vier pela frente”. Para ele, o País perdeu o rumo. “O PT quebrou o Brasil”, sentenciou.
“Seja qual for o caminho pelo qual tenhamos que passar, o PSDB e seus aliados terão um norte”, concluiu FHC.
Apesar do tom, os tucanos insistiam em dizer que qualquer desfecho se daria “dentro da lei”. “Não cabe ao PSDB antecipar a saída de presidente da República. Não somos golpistas”, afirmou Aécio. Minutos mais tarde, ele disse ter o “sentimento” de que a adversária não fica no poder até 2018. Ou seja, não termina o mandato.
“O que eu vejo é que alguns partidos que hoje apoiam o governo têm esse sentimento, até mais aflorado do que o nosso, de que ela terá dificuldades para concluir o seu mandato”, disse o tucano.
Divisão interna
Em diversos momentos, a última campanha presidencial foi lembrada nos discursos e no roteiro do evento. No ano passado, Aécio foi derrotado na disputa pelo Palácio do Planalto por uma pequena margem de 3,4 milhões de votos.
Aliados do mineiro chegaram a exibir um clipe com parte do jingle usado por Aécio em 2014 ao prestar uma homenagem ao cantor goiano Cristiano Araújo, morto em um acidente de carro no mês passado.
A exaltação ao senador foi feita num momento em que Alckmin também se coloca como opção dos tucanos para o Planalto.
Houve uma disputa de claques na chegada dos dois tucanos. A ala paulista gritava “Geraldo”, enquanto o nome de Aécio era entoado por seus correligionários.
Prevendo uma disputa pelo protagonismo da convenção, Alckmin surpreendeu pelo tom duro de sua fala, fora de seu estilo habitual, e com forte conteúdo nacional, sem foco em São Paulo.
José Serra, outro nome lembrado como presidenciável, defendeu o parlamentarismo, criticou a política econômica e afirmou que o governo é “viciado em sua própria mediocridade”. “É a pior crise desde que me conheço por gente.” (Daniela Lima, Flávia Foreque e Natuza Nery/Folhapress)
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