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Brasil Em conversa com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e com o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, Lula reafirmou a sua candidatura e desautorizou o plano de uma aliança com Ciro Gomes

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O petista foi condenado a mais de 12 anos de prisão na Operação Lava-Jato. (Foto: Divulgação)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o coordenador do seu programa de governo, Fernando Haddad, desautorizou tratativas com o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto. Ele também reafirmou que se mantém candidato.

Preso há 40 dias na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR), condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, recebeu Haddad pela primeira vez na quinta-feira, o tempo todo acompanhado por Gleisi. O ex-prefeito de São Paulo havia iniciado conversas com o PDT e o PSB sobre uma possível aliança de esquerda para as eleições deste ano, autorizado por Lula quando o ex-presidente ainda estava solto.

Lula, no entanto, nunca deixou que as conversas fossem além de uma aproximação inicial e não as levou para fora de um pequeno círculo de amigos mais próximos dentro do PT, segundo contaram à Reuters fontes ligadas ao partido. Agora, preso, o ex-presidente endureceu o discurso e disse a Haddad e Gleisi que não quer conversas de apoio a Ciro e reiterou que será candidato.

De acordo com interlocutores, Lula ainda aposta nos dois recursos judiciais que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) para ser solto e em concorrer com base em uma liminar que suspenda os efeitos da lei da ficha limpa -que proíbe pessoas condenadas em segunda instância de concorrer a cargos eletivos- para que sua candidatura não seja impugnada.

Aliança de esquerda

Desde a prisão de Lula, cresce no PT o movimento de pessoas que pedem uma aliança de esquerda para essas eleições. Nas últimas semanas, os governadores do Ceará, Camilo Santana, e da Bahia, Rui Costa, manifestaram publicamente interesse em uma aliança com o pedetista. Ex-ministro e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner foi outro a defender publicamente a possibilidade do PT ceder a cabeça de chapa e apoiar outro nome nessas eleições, citando especificamente Ciro Gomes.

O pré-candidato do PDT chegou a dizer, em entrevista à imprensa, que uma chapa com Haddad como vice seria um “dream team”. No entanto, as dificuldades de relacionamento com o PT levaram Ciro a já procurar outros nomes para a vice-presidência, em uma aproximação com o PSB e até com o PP.

Depois da reunião com Lula, Gleisi marcou um encontro com os governadores petistas na próxima semana. A intenção é passar o recado do ex-presidente de que acenos a Ciro não são bem-vindos. Parte dos petistas teme o isolamento do partido se continuar avesso a negociações e o risco ainda maior de perda de espaço, inclusive nos Estados, se o partido não negociar agora uma aliança.

A insistência da candidatura Lula é, no entanto, uma das estratégias de defesa do petista, inclusive para mobilizar a militância. E, sem o aval e a ordem do ex-presidente, as conversas iniciadas não vão adiante. Para Haddad, o ex-presidente pediu que reforce o trabalho no programa de governo que, como o próprio ex-prefeito contou ao sair da visita a Lula, ele quer que seja “ousado”, em um sinal de que articulações para despojá-lo da posição de candidato petista não são bem-vindas.

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