Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 3 de setembro de 2021
Mais da metade dos brasileiros que se filiaram ao Novo já deixou o partido. Até agora, segundo o Estadão, já são registradas 35,5 mil desfiliações, um número que já supera o de filiados atuais, 33,8 mil.
Somente em julho foram mais de mil desfiliações, recorde neste ano. As defecções são entendidas como resultado da crise interna do Novo que divide o partido e põe em xeque o comando da sigla, nascida sob o discurso de modernizar e moralizar a política partidária.
João Amoêdo, candidato a presidente em 2018, tem feito oposição sistemática a Bolsonaro, desagradando ao grupo antipetista do Novo, que vê no movimento fortalecimento de Lula. Amoêdo, porém, se mantém fiel aos princípios do partido e em defesa da Constituição.
Amoêdo, que deixou o comando da sigla em março do ano passado, disse ao site O Antagonista que o Novo “não tem identidade nem definição clara”, o que, no entender dele, explica a debandada.
“Você tem o partido em si se declarando como oposição ao governo e a favor do impeachment de Jair Bolsonaro, convocando para as manifestações de 7 de setembro. Mas, por outro lado, há mandatários relevantes que não endossam essa posição”, afirmou Amoêdo.
Ele acrescentou que “em um cenário extremamente polarizado, adotar uma postura dessa faz o partido perder filiados e eleitores dos dois lados. Quem não gosta do Bolsonaro não vê o partido unido como oposição. Já quem gosta do Bolsonaro também não vê muita unidade. Aí não tem jeito: perde-se dos dois lados.”
A direção do partido avalia que a polarização afetou o número de desfiliações e também a expectativa não concretizada de abrir diretórios em diversas cidades. A luz no fim do túnel está na eleição do ano que vem.
“Acredito que essas oscilações serão normais ao longo da história do Novo. Mas especificamente para esse momento, entendo que assim que começarmos a apresentar nossos pré-candidatos, voltarmos ao clima de eleição, conseguirmos ver uma luz no fim do túnel, essas pessoas se motivarão novamente, a curva estabiliza e volta a crescer”, diz Eduardo Ribeiro, presidente da sigla.
Críticas
O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles teceu críticas à liderança do Partido Novo nesta sexta-feira (3). A declaração foi proferida durante palestra no evento ‘CPAC Brasil’, que reuniu diversos conservadores.
Ao mencionar o período em que esteve filiado ao Novo, Salles classificou como “vergonha” a gestão de João Amoêdo.
“Em 2006 eu nem sabia o que era política. Em 2010 fui candidato de novo, e o lema era ‘Chega de PT’. O Lula estava tentando eleger a Dilma, e aí nós fizemos uma campanha e fui acomodando minha atividade de advogado com a vida pública, fui secretário em São Paulo, depois candidato a deputado federal pelo Novo, lamento ter sido pelo Novo, deveria ter sido pelo Bolsonaro, embora tenha alguns deputados e colegas do Novo muito bons, mas a liderança do Amoêdo é uma vergonha”, declarou, sendo aplaudido pelo público presente na solenidade.
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