Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de fevereiro de 2026
Enquanto em boa parte do mundo fala de transição energética, em Cuba o problema é mais básico: conseguir gasolina. A escassez é tão grave que há filas com milhares de pessoas aguardando agendamento para abastecer – e um mercado paralelo em que o combustível chega a custar o equivalente a R$ 30 por litro (ou US$ 24 por galão), de acordo com a cotação de quarta-feira (18).
Para se ter ideia do valor cobrado no país, encher o tanque de um Renault Kwid, que tem 38 litros, custaria R$ 1.140. No Brasil, o mesmo tanque – considerando o valor médio de R$ 6,31 atualizado pela Petrobras no último dia 7 de fevereiro – custaria R$ 239,78. Com o valor cobrado em Cuba, daria para abastecer o Kwid 4,7 vezes por aqui.
Segundo a publicação, motoristas cubanos podem ficar semanas ou até meses sem combustível. O governo passou a exigir que condutores utilizem um aplicativo para agendar o abastecimento. E o problema é a fila digital.
Há relatos de postos em Havana, capital do país, com milhares de pessoas na frente. Um entrevistado citado pela reportagem afirma ter recebido um número de senha maior que sete mil na fila virtual. Porém, o posto atendia apenas 50 agendamentos por dia. Por essa lógica, ele demoraria mais de quatro meses para ter a chance de abastecer.
Mesmo nos locais mais estruturados, o número máximo gira em torno de 90 atendimentos diários. E pior: o motorista só pode se inscrever em um posto por vez. Quando finalmente consegue chegar à bomba, o limite é de 20 litros (5,3 galões) por veículo.
A escassez abriu espaço para um mercado clandestino. Segundo a Associated Press, o litro da gasolina no mercado paralelo pode chegar a US$ 6 por litro (mais de R$ 30). Isso equivale a aproximadamente US$ 24 por galão (mais de R$ 125).
Para efeito de comparação, o preço oficial nos postos é de cerca de US$ 1,30 por litro (ou R$ 6,78).
O valor do combustível ilegal torna-se ainda mais extremo quando comparado aos salários. A publicação afirma que funcionários públicos em Cuba ganham menos de US$ 20 por mês (R$ 104,40).
Ou seja: um único galão comprado no mercado negro pode custar mais do que o rendimento mensal de um servidor estatal.
A crise em Cuba está ligada à interrupção do fornecimento de petróleo da Venezuela, que vinha abastecendo Cuba. Desde que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro, então presidente do país latino, a ilha cubana tem sofrido as consequências do fim de uma parceria de longa data.
Além disso, os Estados Unidos teriam ampliado a pressão sobre países que exportam combustível para Cuba, com ameaças de tarifas punitivas.
O próprio chanceler cubano se manifestou publicamente. Em publicação em rede social, Bruno Rodríguez Parrilla escreveu: “Trata-se de limitar, por meio de pretextos absurdos, a prerrogativa soberana de cada país de decidir se exportará ou não, e para quais destinos exportará seus produtos que integram o patrimônio nacional.”
O desabastecimento não afeta apenas motoristas particulares. A reportagem afirma que o governo está priorizando serviços essenciais, como o abastecimento de água. Com isso, outros setores ficaram prejudicados. A coleta de lixo, por exemplo, foi reduzida ou suspensa em algumas áreas, levando ao acúmulo de resíduos nas ruas.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel também se pronunciou por meio da conta oficial da Presidência de Cuba em rede social.
No texto publicado, ele afirma: “Cuba está disposta a um diálogo com os Estados Unidos. Sem pressões, sem pré-condicionamento, em uma posição de iguais, em uma posição de respeito à nossa soberania, à nossa independência e à nossa determinação.”
Segundo a Associated Press, o governo cubano afirma estar aberto a diálogo, mas sem imposições externas. A reportagem também menciona que o secretário de Estado dos EUA estaria mantendo discussões sobre o tema, mas não há clareza sobre quando – ou se – haverá alívio no fornecimento. As informações são da agência de notícias Associated Press.
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