Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de setembro de 2026
Durante discurso em um comício em Belém (PA), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao comentar a resistência de homens em realizar exames de toque para a detecção do câncer de próstata, afirmou que as mulheres teriam maior familiaridade com procedimentos ginecológicos por serem orientadas, desde jovens, a cuidar da saúde íntima.
A declaração ocorreu após Lula mencionar a realização da primeira cirurgia robótica de próstata no Pará e na região Norte do país. Ao destacar a importância do procedimento, o presidente comparou a relação de homens e mulheres com exames preventivos.
“Hoje eu vi uma coisa que me orgulha. Uma coisa fantástica. Nós hoje fizemos a primeira operação robótica de próstata aqui no estado do Pará e no Norte do país. E por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito”, discursou o petista.
A menção às mulheres que “aprendem a tomar toque desde pequenas” passou a ser explorada por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), rival de Lula na corrida pelo Planalto. As manifestações sugeriram que a fala poderia conter uma alusão a abusos sexuais.
“Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula”, escreveu o deputado federal Nikolas Ferreira, um dos parlamentares bolsonaristas que repercutiram o episódio. As deputadas Júlia Zanatta (PL-SC) e Rosangela Moro (PL-SP), ambas candidatas à reeleição, e o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, também comentaram a declaração.
As expressões “Protejam nossas crianças” e “Lula não toque nas crianças” chegaram a figurar entre os Assuntos do Momento da rede social X após o discurso.
Em resposta, o PT divulgou uma nota para esclarecer o sentido atribuído à declaração. O partido afirmou que o presidente “obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem”.
A legenda ressaltou que a realização de consultas e exames ginecológicos ao longo da vida faz parte de uma cultura de atenção à saúde íntima feminina. Segundo a nota, muitas mulheres são orientadas desde a adolescência, ou mesmo desde as primeiras fases da juventude, a procurar acompanhamento médico e realizar procedimentos preventivos. O PT relacionou essa rotina à maior familiaridade das mulheres com exames ginecológicos quando comparada à resistência masculina a avaliações urológicas.
“O homem, pela predominância de uma cultura ainda machista, resiste a exames urológicos preventivos”, prossegue o texto. O partido argumentou ainda que houve “uma tentativa de deturpar a declaração do presidente”.
“Mais uma ação do gabinete do ódio bolsonarista que tira de contexto uma fala para alimentar a máquina de desinformação e fake news”, conclui a nota. (Com informações do jornal O Globo)
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