Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de fevereiro de 2020
Em discurso na festa de 40 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a Lava-Jato, os empregos precários e a possível candidatura do apresentador Luciano Huck para disputar as eleições presidenciais em 2022. O ex-presidente também rebateu os pedidos de autocrítica feitos ao PT.
Lula subiu ao palco da Fundição Progresso, na Lapa, ao lado do ex-presidente do Uruguai José Mujica para um debate sobre o sentido da politica transformadora no mundo.
Lula afirmou que, atualmente, o ser humano é tratado da “forma mais canalha possível em nome da flexibilização e do empreendedorismo”, fazendo referência aos novas formas de emprego, muitas vezes informal.
“Eu fico me perguntando o que será da juventude. Nem todo mundo pode jogar bola, ser medalhista, ganhar na mega-sena. As pessoas precisam trabalhar de forma decente, com salário digno. Já houve reforma trabalhista em vários países do mundo e foi para piorar as conquistas do século XX. Veja o que aconteceu no Brasil. O trabalhador foi tendo as condições de vida pioradas. Quando o cidadão tem que sustentar a família, pagar a universidade, ele não escolhe. Mas é o mercado que vai reger a condição de vida ou o estado?”, questionou.
Em referência às últimas eleições, Lula afirmou que uma lição muito grande foi ensinada. Convocando a militância jovem do partido, o ex-presidente afirmou que é necessário assumir a responsabilidade de fazer política.
“Eu quero dizer para juventude que não existe vida fora da política. Esse é um desafio colocado pra nós, pensar como organizamos o movimento sindical, as lutas.”
Lula citou o exemplo da aprovação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) como exemplo de necessidade de união.
“Se a sociedade não tiver força esse ano para fazer com que o Fundeb seja aprovado, esse será o último ano do fundo. E ai vai fazer o que? Xingar o Bolsonaro? Xingar o Ministro da educação?”
O ex- presidente ainda criticou os pedidos recorrentes de autocrítica direcionados ao partido, principalmente depois do resultado das últimas eleições.
“A moda do Brasil é falar pro PT fazer autocritica. Eu nunca vi ninguém pedir autocrítica pelos desempregados, violência na periferia, pela violência contra a mulher.”
Em meio a críticas à imprensa, que, segundo Lula, o chama de ladrão, ele atacou a possível candidatura do apresentador Luciano Huck, o então ministro da justiça Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.
“Eu ouvia dizer que o PT é o partido mais corrupto do mundo e que o Lula é ladrão. Se tem ladrão nesse país, são as pessoas que me condenam, que me prenderam. Eu estou na luta para conquistar o direito de voltar a governar esse pais.”
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