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Brasil Em Minas Gerais, homens se cadastram como grávidas e prefeitura investiga mais de 200 casos suspeitos de fraude na vacinação

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As denúncias de fura-filas foram encaminhadas ao Ministério Público mineiro. (Foto: Divulgação/MPMG)

A prefeitura de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, informou que está investigando pelo menos 200 casos de possíveis fraudes envolvendo a vacinação contra a covid-19 no município. As denúncias de fura-filas foram encaminhadas ao Ministério Público mineiro (MPMG).

Segundo a prefeitura, a maioria dos cadastros com irregularidade ocorreu no grupo prioritário de pessoas com comorbidades. Elas teriam apresentado atestados falsos, se enquadrando no perfil de imunização definido pelo Ministério da Saúde, para furar a fila e antecipar a vacinação. Além disso, pelo menos 17 pessoas do sexo masculino teriam se cadastrado como gestantes e puérperas para tentar receber as doses.

De acordo com promotor de Justiça Ubiratan Domingues, os casos suspeitos serão encaminhados à Polícia Judiciária e ao MPMG para apuração de eventuais crimes. Além disso, o município se comprometeu a alterar o procedimento de cadastramento para evitar futuras fraudes.

“Aguardamos a formalização da denúncia ao MPMG, a partir da qual atuaremos para que os responsáveis por eventuais desvios sejam punidos”, informou o promotor.

A prefeitura informou ainda que se comprovadas as irregularidades, tanto as pessoas imunizadas quanto o médico que forneceu o laudo falsificado, poderão ser responsabilizados por falsidade ideológica e uso de documento falso.

Morte de mãe

As mais de 39 mil mortes em Minas Gerais pela covid-19 têm nomes, planos e rostos. Um deles é o da Flávia Carneiro de Araújo, esposa de Adriano Rodrigues de Oliveira e mãe do pequeno Ravi, de 26 dias de vida, que só teve contato com a mãe durante cinco dias.

Ela morreu na última segunda, depois de ficar internada e intubada em um hospital na Região Leste de Belo Horizonte.

A contadora de 34 anos e o marido, de 35, testaram positivo para o coronavírus. Ele, no dia 26 de abril e ela, no dia 29. Com os sintomas ainda leves, mas grávida de 39 semanas, o médico obstetra de Flávia decidiu marcar uma cesárea de emergência para o dia seguinte. O filho tão esperado nasceu no dia 30 de abril.

“Na cirurgia ocorreu tudo bem, ela foi para o quarto, mas começou a ter queda de pressão no pós-parto, ficamos no hospital de sexta até domingo e ela com esses episódios de fraqueza. Tivemos alta, fomos pra casa e foi quando as coisas pioraram”, contou o preparador físico e marido de Flávia.

Adriano disse que eles estavam felizes com a chegada do filho, mas ansiosos e preocupados com a saúde dela, já que a oxigenação de Flávia oscilava muito em casa. Na terça-feira, 4 de maio, eles foram ao hospital e ela acabou sendo internada.

“Foram dias de choro, tristeza e angústia. Quando ela foi intubada, no dia 10 de maio, eu não pude ficar com ela, e isso só aumentou aflição da gente, só tínhamos notícias 1 vez ao dia, mas ela estava estável”, contou.

A situação da mãe de Ravi piorou no último domingo (23), quando a família foi chamada para visitá-la. Enquanto o marido e familiares se preparavam para entrar no Centro de Tratamento Intensivo, Flávia teve uma parada cardíaca.

Os médicos conseguiram reanimá-la e a família conseguiu vê-la. “Falamos para ela ser forte, que tinha o Ravi para ela viver uma vida inteira junto”, disse Adriano, emocionado.

Foi a despedida.

Na segunda, por volta das 10h, Adriano recebeu uma ligação da enfermeira pedindo para que ele e a família voltassem ao hospital.

“Foi desolador ouvir que ela não havia resistido. Eu estou angustiado, triste, preocupado com o futuro com meu filho, pedindo que Deus a receba e que fique perto dela. Toda família sofre muito, somos muito unidos”, lamentou.

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