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Brasil Em novo capítulo de disputa interna, o PSL decidiu expulsar aliada de Bolsonaro

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Disputa pelo comando do partido ganhou novo capítulo com acusações sobre incêndio em casas do próximo presidente da legenda. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em mais um capítulo da disputa interna, o PSL decidiu expulsar, nesta quinta-feira (12), do partido a deputada Bia Kicis (DF), aliada do presidente Jair Bolsonaro.

Na notificação, a que a Folha teve acesso, o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE), diz que a parlamentar incorreu em “grave infração ética” e desrespeitou os princípios de fidelidade partidária estabelecidos no estatuto do PSL.

“É notório que a deputada em questão vem realizando campanha em favor do partido em formação denominado ‘Aliança’, e para tanto desacreditando a agremiação à qual pertence atualmente”, escreve Bivar, referindo-se à Aliança Pelo Brasil, partido que Bolsonaro pretende fundar.

De acordo com o documento, a conduta de Bia Kicis, “pública e reiterada, implica em ofensa inadmissível à imagem do partido, bem como evidencia ação contrária ao programa partidário”.

“A gravidade da conduta e os prejuízos que vêm sendo suportados pela agremiação, justificam a gravidade da pena imposta.”

Na quarta (11), a briga interna do PSL que se arrasta desde outubro teve reviravoltas.

Com Eduardo Bolsonaro (SP) suspenso desde a noite de terça-feira (10) por decisão do diretório nacional do partido, a manhã de quarta começou com Joice Hasselmann (SP) eleita nova líder na bancada na Câmara.

No meio da tarde, porém, uma decisão da Justiça de Brasília suspendeu as punições dos 18 parlamentares. O PSL recorreu.

Procurado, o ex-ministro TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Admar Gonzaga afirmou que a expulsão de Bia Kicis “é a prova absoluta da noção de propriedade que existe no PSL”.

“É a absoluta comprovação de ausência de democracia e de respeito mínimo à ordem constitucional”, disse à Folha.

Advogado da Aliança, Admar afirmou também que “uma expulsão dessa ordem é uma mancha na vida de qualquer partido”.

De acordo com ele, a decisão só poderia ter sido tomada após a tramitação de um processo interno, em que foi dado o direito do contraditório e à ampla defesa à deputada. “Não temos notícia de que isso tenha acontecido.”

Joice Hasselmann

O PSL subiu o tom com os deputados dissidentes. Enquanto o grupo bolsonarista, composto por 18 parlamentares, 14 deles suspensos por um processo administrativo da própria legenda, tentam na Justiça reverter a situação e recuperar as prerrogativas partidárias, as lideranças da sigla, expulsaram a deputada Bia Kicis (DF) da legenda e botaram o ex-líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (GO) e Nereu Crispim (RS) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News.

Como suplentes da CPMI ficaram Julian Lemos (PSL-PB) e Professora Dayane Pimentel (PSL-BA). A nova líder do partido na Câmara, Joice Hasselmann (SP) foi que promoveu as trocas na comissão. Os suspensos deverão deixar, também, as comissões permanentes, mas ainda não houve movimentação nesse sentido.

Destituído da liderança quando o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tomou o controle da legenda na Câmara, Delegado Waldir minimizou a situação. “As mudanças nas comissões são extremamente normais. Nosso grupo, que é um grupo mais racional, apoia o combate à corrupção, é contra o uso de notícias falsas. Somos favoráveis à CPI da lava-toga, das fake news, à investigação de laranjas e de Flávio Bolsonaro. Essa é a razão da mudança nessa comissão”, argumentou.

Ele também comentou a decisão judicial que suspende a punição ao grupo de dissidentes do partido. “Em relação às decisões judiciais, pensamos que é algo da democracia. Mas a gente fica preocupado. Pode ter o risco de uma interferência de um poder no outro. A decisão da suspensão é referendada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Fica claro ainda tem pessoas querendo o controle da liderança. É porque ele traz benefícios. São pessoas com interesse em montar outro partido, mas que insistem na permanência do PSL”, criticou Delegado Waldir.

Integravam a CPMI das Fake News pelo PSL o deputado Filipe Barros (PR), Carla Zambelli (SP) e Eduardo Bolsonaro. Todos eles suspensos pelo partido e, agora, com decisão judicial contrária a punição. O grupo chegou a ser apelidado de tropa de choque do presidente na comissão.

Sobre a expulsão de Bia Kicis, a deputada falou brevemente com o Correio ao telefone. Disse que não foi notificada e que está procurando um advogado. Eleita pelo PRP, que se fundiu ao Patriota, ela era a única entre os parlamentares que não perderia o cargo com a saída do PSL.

Da ala fiel à legenda, o deputado Júnior Bozzella (SP), que se tornou um porta voz do PSL durante a crise, disse, sobre as comissões, que exceto os efeitos da suspensão dos parlamentares e a troca de nomes na CPMI das Fake News, não há mais mudanças programadas.

Sobre a saída de Bia Kicis, ele afirmou que era o que a parlamentar queria. “Ela tinha que estar tranquila. Eles não estão fazendo campanha pro outro partido? Ela não queria mais o PSL e nós a tiramos. Mas, eles (Bia e os outros dissidentes bolsonaristas) já estavam fora. Tinha que agradecer. Eles estão criando o Aliança e reclamando?”, questionou. No aplicativo da Câmara dos deputados, o nome de Bia Kicis ainda aparece como parlamentar do partido.

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