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Mundo Em novo dia de protestos, manifestantes de Hong Kong derrubam barreiras do Parlamento

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Os ativistas acusam o governo de Pequim de tentar restringir as liberdades que possuem hoje. (Foto: Reprodução)

Em dia de novo protesto em Hong Kong, ativistas pró-democracia desafiaram as autoridades locais, que haviam proibido a realização de atos neste sábado (31), foram às ruas e derrubaram as barreiras instaladas ao redor do Parlamento e da sede do Executivo do território chinês. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Em resposta, a polícia disparou canhões de água e gás lacrimogêneo em manifestantes que lançavam coquetéis molotov em prédios do governo.

O jornal New York Times classificou os confrontos deste sábado como os mais intensos desde junho, quando se iniciaram as manifestações contra um projeto que permitiria extraditar honcongueses para serem julgados nos tribunais da China continental, controlados pelo Partido Comunista.

Além de spray de pimenta e gás lacrimogêneo, as forças de segurança usaram pela primeira vez um canhão para jogar água tingida de azul nos ativistas.

A tinta mancha a pele e as roupas e é usada para facilitar a identificação de manifestantes após os atos.

“As manifestações pacifistas não funcionam”, declarou uma manifestante de 22 anos que se identificou apenas como Stone. “Os radicais devem expressar sua revolta para obter algo”.

“Não vamos nos render”, afirma uma pichação em um muro da estação do metrô de Admiralty.

Os manifestantes incendiaram uma enorme barricada formada por cadeiras arrancadas das arquibancadas de um estádio esportivo, perto do quartel-general da polícia, na região de Wanchai (centro). As chamas foram controladas após 30 minutos.

“Manifestantes radicais lançaram bombas incendiárias e corrosivas contra os agentes”, denunciou a polícia em um comunicado, que cita uma “grave ameaça” para as pessoas ao redor.

Os protestos deste sábado também marcam o aniversário de cinco anos do Movimento dos Guarda-Chuvas, que buscava ampliar a participação dos honcongueses no processo eleitoral do território.

No Parlamento local, apenas pouco menos da metade das cadeiras é ocupada por representantes escolhidos diretamente pela população.

A maioria é controlada por parlamentares pró-Pequim, o que permite à China continental interferir nas regras e defender novas interpretações da “Lei Básica”, a Constituição do território.

Em Hong Kong, os protestos precisam de permissão para serem realizados, mas a polícia não deu a autorização alegando razões de segurança.

A tensão em torno do ato foi intensificada pelas detenções, na sexta-feira (30), de figuras importantes do movimento pró-democracia, incluindo três deputados: Cheng Chung-tai, Au Nok-hin e Jeremy Tam, todos críticos eles a Pequim.

Foi a primeira vez que parlamentares foram presos desde o início da onda de protestos. Além dos deputados, dois líderes do Movimento dos Guarda-Chuvas, Joshua Wong e Anges Chow, populares entre os ativistas, também foram detidos, acusados de “incitar a participação em uma concentração proibida”.

Os dois foram indiciados em uma audiência durante a tarde e colocados em liberdade após o pagamento de fiança. Desde junho mais de 900 pessoas já foram detidas.

Mais cedo, neste sábado, um grupo ateou fogo a uma enorme barricada instalada perto do quartel-general da polícia neste sábado.

Os ativistas usaram pedaços de plástico, cercas de metal e cadeiras de um ginásio esportivo próximo para provocar o incêndio em Wan Chai, distrito na parte central do território.

Embora as manifestações tenham começado devido à proposta de lei de extradição —agora suspensa—, as demandas dos atos evoluíram para apelos por mais democracia.

Os ativistas continuam exigindo a retirada definitiva do projeto, assim como a renúncia da chefe-executiva Carrie Lam, alinhada à Pequim.

Ex-colônia britânica, Hong Kong passou ao domínio chinês em 1997. No entanto, a região possui sistemas políticos e judiciais diferentes do resto da China, num regime chamado de “um país, dois sistemas”.

Os ativistas acusam o governo de Pequim de tentar restringir as liberdades que possuem hoje.

tags: Hong Kong

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