Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2020
É de guerra, apocalipse e colapso que médicos da Espanha, da Itália e dos Estados Unidos falam quando se referem à Covid-19. O medo generalizado dos profissionais de saúde reflete o massacre que já sofrem em países como Espanha, Itália e Portugal. Nada menos do que 14% dos mais de 65.700 infectados espanhóis são profissionais de saúde. Em Portugal, os médicos são 20% dos mais de quatro mil infectados, segundo a Ordem dos Médicos do país. O percentual de enfermeiros e demais profissionais não foi informado.
“O vírus já estava entre nós quando o governo começou a testar aqueles que vinham da China e da Itália. Alguns dos nossos médicos não sabiam e atenderam a pacientes infectados sem a devida proteção”, disse ao The New York Times Ángela Hernández Puente, vice-diretora do sindicato dos médicos da Espanha.
Nenhum outro país tem uma taxa de infecção tão elevada, na casa dos dois dígitos, entre profissionais de saúde quanto Espanha e Portugal. Mas em outros países da Europa a situação é também de desespero, em especial na Itália, terceiro país do mundo mais afetado e o com mais mortes registradas.
Um em cada 10 italianos infectados é profissional de saúde. Em algumas regiões, como Brescia, 15% dos médicos e enfermeiros estão infectados.
Vem da Itália os relatos mais dramáticos. A escolha de Sofia — ter que abandonar um paciente para morrer porque só há um respirador disponível — se tornou a regra em hospitais da Lombardia, a região mais afetada. Os pacientes mais velhos são deixados para morrer sozinhos e, muitas vezes, médicos e outros profissionais também idosos estão entre eles.
Entre os mortos está, por exemplo, o clínico geral Roberto Stella, de 67 anos, homenageado como herói. Stella foi um dos primeiros a tratar de pacientes e continuou ao lado deles mesmo quando acabaram as máscaras, as luvas e qualquer equipamento de proteção. Só parou de trabalhar quando ele próprio adoeceu com gravidade.
Outro caso que provocou comoção nacional foi o de Marcello Natali, de 57 anos, morto pela Covid-19 em 18 de março. Ele foi um dos primeiros a alertar para a falta de equipamentos e insumos e se tornou um crítico feroz da falta de ação do governo. Sua família não pode nem velar o corpo, como é a regra para as vítimas da Covid-19.
Os médicos americanos temem um massacre. Metade dos profissionais dos EUA, 512 mil pessoas, tem mais de 50 anos. A média de idade das enfermeiras é de 51 anos. E até agora não há medidas oficiais para protegê-los, dizem os professores Aaron Kofman e Alfonso Hernandez, da7 Universidade de Emory, na revista “New England Journal of Medicine (NEJM)”.
Violência na Índia
Com cerca de 1,3 bilhão de habitantes, a Índia permanece uma incógnita. Até agora há pouco mais de 500 casos, mas teme-se uma enorme subnotificação e a explosão em breve da pandemia no país. O governo decretou medidas de distanciamento social severas para toda a população.
Oficialmente, o vírus não se disseminou muito, mas os médicos já sofrem com o preconceito e o estigma. O Instituto de Ciências Médicas da Índia denunciou que médicos têm sido hostilizados pelos vizinhos e arrancados à força de suas casas, por multidões que temem a contaminação da vizinhança. O ministro da Saúde Harsh Vardhan, ele próprio médico, se disse “profundamente angustiado”.
A China teve cerca de 3 mil profissionais de saúde infectados. A maioria se recuperou, mas entre os mortos estão os primeiros a alertar sobre a estranha pneumonia que causava uma nova doença. O heroísmo do oftalmologista Li Wenliang lhe custou a vida. Primeiro a alertar sobre a Covid-19, foi ele censurado pelo governo e foi vitimado pela doença. O governo chinês pediu desculpas. Já era tarde. As informações são do jornal O Globo.
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