Terça-feira, 23 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de janeiro de 2018
O presidente Michel Temer se recupera nesta segunda-feira de uma infecção urinária diagnosticada na semana passada. A informação foi confirmada pelo jornal Folha de S. Paulo com integrantes da equipe presidencial. O Palácio do Planalto não confirma oficialmente o diagnóstico.
Desde o fim de semana, o presidente tem tomado medicamentos para reverter o quadro infeccioso e tem sido visitado por enfermeiros. Por recomendação médica, ele tem permanecido em repouso absoluto no Palácio do Jaburu, onde passou a virada do ano.
Segundo assessores presidenciais, ele tem se recuperado bem e cumprirá agenda de trabalho a partir desta terça-feira. Para a noite da virada, Temer chegou a ser convidado para uma festa promovida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEMRJ).
Ele, contudo, preferiu permanecer com familiares no Jaburu. Nos últimos dias, o presidente tem reclamado de desconforto por causa da sonda urinária colocada há três semanas em uma cirurgia de desobstrução da uretra.
A expectativa é que, nos próximos dias, Temer viaje a São Paulo para fazer uma nova bateria de exames no Hospital Sírio-Libanês. Por causa do procedimento, o presidente já cancelou duas viagens oficiais: uma para o Sudeste Asiático e outra para Alagoas.
A orientação médica é de que ele evite viagens de longa distância e permaneça o máximo possível em repouso em Brasília.
Aos 77 anos, o mais velho presidente da história do Brasil, Temer sofreu três intervenções médicas nos últimos meses: para conter um sangramento na próstata, colocar um stent em artérias coronárias e desobstruir a uretra. Segundo a equipe médica, o procedimento na uretra foi considerado bem sucedido, mas “há sempre o risco” de voltar.
Crise política
Além da crise política, o presidente teve problemas de saúde que o fizeram passar por três cirurgias e viu naufragar o avanço da principal bandeira de seu governo: a reforma da Previdência.
Parecia que sua única conquista em 2017 se resumiria à aprovação da reforma trabalhista, defendida por ele como uma proposta “modernizadora”, mas atacada por adversários que dizem que a medida retirava direitos.
A sorte de Temer começou a mudar em 4 de setembro.
A data é lembrada por auxiliares do Planalto como a virada do presidente, que estava desacreditado quando o então procurador-geral, Rodrigo Janot – inimigo declarado do governo –, convocou uma entrevista coletiva para dizer que poderia rever a delação dos executivos da JBS.
O motivo: suspeita de omissão de informações e de que o ex-procurador Marcelo Miller, um de seus principais assessores, atuara de forma ilegal para fechar o acordo.
Era mais um suspiro para Temer. Possivelmente, o maior deles. Antes de assistir à derrota do procurador, o presidente havia conseguido recuperar algum capital político ao apostar no espírito de corpo dos parlamentares para barrar as denúncias contra ele na Câmara. Dizia que a Lava-Jato queria dizimar a classe política — e o discurso colou.
Com medo de serem os próximos, deputados e senadores decidiram ajudá-lo a enterrar as acusações e, de quebra, articular um bloco de centro-direita para apoiar um candidato em 2018.
Temer ainda se coloca como um “player” nas eleições. Acredita ter recuperado força, amparado por inúmeras concessões de cargos e emendas. Não conseguiu, entretanto, amealhar os 308 votos para a nova Previdência.
A dimensão do poder de Temer ao fim de 2017 é uma incógnita. Não renunciou, também não foi apeado do cargo, mas continua com baixíssima popularidade – 5% de ótimo/bom pelo Datafolha – e é cedo para calcular sua força na disputa eleitoral.
Para ministros do núcleo político, essa avaliação só será retomada em fevereiro. Agora, dizem, Temer dá mais um suspiro antes de enfrentar a travessia até o fim do mandato, seja como protagonista das eleições, como fiador de um palanque forte ou até em estado de inércia.
“Quase não dá para acreditar que sobrevivemos a tudo isso”, disse o presidente em conversa recente com auxiliares, segundo relatos. Um desabafo subjetivo. O resumo mais pragmático fica por conta de Moreira Franco: “2017 é o ano do ‘ufa’. E nós só queremos que ele termine”.
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