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Política Em reunião com governadores da Amazônia, Bolsonaro ataca reservas indígenas

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Reunião do presidente Jair Bolsonaro com governadores dos nove Estados da Amazônia Legal, em agosto deste ano. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Em meio à crise causada pelo aumento das queimadas na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro recebeu os governadores dos nove Estados da Amazônia Legal para tratar das ações na região, mas transformou o encontro em uma sessão para reclamar do número que considera excessivo de reservas indígenas e florestais. As informações são da agência de notícias Reuters.

Segundo o presidente, a contínua demarcação de reservas e parques nacionais têm por objetivo “inviabilizar” o Brasil.

Em grande parte o dinheiro vêm de fora do Brasil, e isso tem um preço: demarcação de terras indígenas, APAs, quilombolas, parques nacionais, etc. Isso leva a um destino que sabemos, a insolvência do Brasil”, afirmou na reunião com os nove governadores da Amazônia Legal, na manhã desta terça-feira.

Bolsonaro respondia ao pedido dos governadores do Pará, Helder Barbalho (MDB); do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e do Amapá, Waldez de Góes (PDT), para que os recursos do Fundo Amazônia voltassem a ser usados nos projetos programados para a região.

A decisão do governo de mexer na gestão do Fundo levou à primeira crise ambiental do governo Bolsonaro, com Alemanha e Noruega, principais financiadoras, suspendendo novos repasses.

Não podemos rasgar dinheiro porque não é sensato na atual conjuntura”, disse Dino ao defender a continuidade do Fundo. “Não podemos repelir a ação cooperada. O diálogo com outros países é imprescindível.”

Ao ouvir cada um dos governadores, o presidente comentou a quantidade de reservas em cada Estado e o quanto isso comprometia da terra produtiva em cada uma dessas unidades da federação e chegou a dizer que essas medidas foram feitas para “nos inviabilizar”.

Com todo o respeito aos que me antecederam, foi uma irresponsabilidade essa política adotada no passado no tocante a isso, usando o índio como massa de manobra. Essa questão ambiental tem de ser conduzida com racionalidade, não com esta quase selvageria, como foi feita nos outros governos”, afirmou.

A principal medida anunciada por Bolsonaro no encontro, que deveria tratar de ações emergenciais de reação ao aumento das queimadas no país, foi reiterar a moratória na demarcação de novas reservas ambientais e indígenas. Segundo o presidente, existem mais de 400 pedidos prontos, mas ele não assinará nenhum.

A nossa decisão até o momento é não demarcar. Já extrapolou essa verdadeira psicose no tocante a demarcação de terras”, garantiu.

Ao ser questionado sobre o tema, o governador do Pará, Helder Barbalho, lembrou que seu Estado não tem problemas com as reservas.

Hoje temos aprovado pelo zoneamento estadual que 35% do Estado do Pará é permitido produção. Temos hoje usados 24%, teríamos ainda 11%”, explicou, lembrando ainda que boa parte do Pará tem hoje pecuária extensiva. “Se formos para média de 3 cabeças de gado por hectare, sairemos para 60 milhões de cabeças. Será o maior rebanho bovino sem desmatar uma árvore.”

Bolsonaro prometeu ainda que até a próxima quinta-feira o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, irá negociar com os governadores um pacote de medidas a serem enviadas ao Congresso Nacional para tratar do futuro, em uma forma de evitar que novos episódios como o aumento dos incêndios florestais registrado neste ano aconteçam novamente.

O que precisamos é pensar daqui para frente. Daqui a dois meses as queimadas já acabaram e se nada for feito a Amazônia vai ser esquecida, até virar notícia novamente por mais algum motivo ruim”, disse o governador do Amapá.

Os governadores foram unânimes em cobrar ajuda e recursos federais para fazer o zoneamento produtivo e, principalmente, a regularização fundiária das terras.

A regularização fundiária é essencial para separar o bons dos ruins, para que se localize quem não está cumprindo as regras. Hoje todo mundo é penalizado igual”, disse Antonio Denarium (PSL), governador de Roraima.

Outro ponto levantado pelos governadores foi a imagem do país no exterior e seu impacto nas exportações brasileiras. O governador Mauro Mendes (DEM), de Mato Grosso —Estado que é hoje o maior produtor de soja do país— defendeu que a ação contra o desmatamento tem que ser constante.

A imagem do Brasil é extremamente importante para nossa relação com nossos clientes no exterior. Hoje 60% do PIB do Mato Grosso vem de exportações”, disse. “Fiquei muito preocupado quando saíram as notícias de aumento de desmatamento, das queimadas. Isso foi uma combinação muito ruim para a imagem do nosso país.”

O governador do Amapá cobrou que se saia da política de confronto que, segundo ele, levou o Brasil a essa situação. “Temos que chegar a um meio termo. Temos dito isso ao presidente. Não pode de repente um discurso passar a ideia de permissibilidade”, disse Waldez.

O governador do Maranhão —a quem Bolsonaro já se referiu como “o pior de todos”, quando foi gravado tratando os governadores do Nordeste como “paraíbas”—, lembrou que se o Brasil se isolar, irá se expor a sanções ao agronegócio pelo não cumprimento de regras ambientais.

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