Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de fevereiro de 2024
A reação do governo de Israel à fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que no domingo (18) comparou as mortes de palestinos em Gaza ao extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial – pautou a reunião nessa segunda-feira (19), no Rio de Janeiro, entre o chanceler Mauro Vieira e o embaixador israelense em Brasília, Daniel Zohar Zonshine. Interlocutores que tiveram acesso ao encontro afirmaram que Vieira disse a Zonshine que o que houve em Jerusalém é “inaceitável”.
Segundo relatos obtidos pelo jornal O Globo, o chanceler brasileiro citou dois fatores que irritaram o governo brasileiro: a convocação do embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, para uma reunião no Museu do Holocausto; e a decisão do governo israelense de declarar Lula persona non grata.
Na reunião com o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Kantz, Meyer passou pelo que foi considerado um “constrangimento” de ouvir uma declaração em hebraico e sem intérprete. Um integrante da área diplomática disse que, somente por essa humilhação imposta ao embaixador brasileiro seria descartada qualquer possibilidade de retratação de Lula.
Quanto à declaração de persona non grata, a avaliação do governo brasileiro é que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aproveitou-se do momento de comoção causado pela fala de Lula para melhorar sua popularidade e unir a nação.
Frederico Meyer foi chamado de volta por Vieira e deve embarcar para o Brasil nesta terça-feira (20). A retirada do embaixador brasileiro demonstra insatisfação do governo Lula e pode ser o primeiro passo para o congelamento, ou até mesmo o rompimento de relações diplomáticas.
Declaração de Lula
“O que está acontecendo em Gaza não aconteceu em nenhum outro momento histórico, só quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula em coletiva de imprensa no domingo, em Adis Abeba, Etiópia. “Não é uma guerra entre soldados e soldados, é uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças. Não é uma guerra, é um genocídio.”
A declaração de Lula é a mais recente de uma série de críticas a atuação de Israel do Hamas em Gaza. Desde os atentados de 7 de outubro, o presidente repudiou os ataques do Hamas e condenou a resposta israelense, que chamou, mais de uma vez, de genocídio.
A comparação da atuação militar de Israel ao Holocausto, quando 6 milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas, é considerada um tipo de antissemitismo, por tentar equiparar as vítimas a seus algozes. As informações são dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.
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