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Saúde Em uma festa de comemoração de 20 anos de formatura, é perceptível a diferença no envelhecimento das pessoas

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Tempo biológico em jovens adultos pode variar em até três décadas. Crédito: Reprodução

“A idade cronológica é apenas uma informação, mas o processo é heterogêneo”, diz o médico geriatra Tarso Mosci. Em uma festa de comemoração de 20 anos de formatura, é perceptível a diferença no envelhecimento das pessoas. Apesar de todas terem nascido na mesma época, uns estão mais grisalhos e exibem rugas, enquanto para outros parece que o tempo não passou, como se a velhice chegasse mais cedo para alguns.

E é isso mesmo o que acontece, aponta um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, que acompanhou cerca de mil voluntários e mostra que a diferença da “idade biológica” entre nascidos em um mesmo ano pode ultrapassar três décadas.

“Existem os determinantes genéticos, que contam 20% a 30% no envelhecimento, e os fatores de hábito e ambientais, que são os principais. O envelhecimento começa no útero da mãe, mas temos de 70% a 80% de oportunidades de interferir nesse processo.

A pesquisa analisou um grupo de 954 pessoas de uma mesma cidade na Nova Zelândia, nascidas entre 1972 e 1973, e observou 18 marcadores fisiológicos relacionados ao envelhecimento. As taxas foram medidas quando os participantes completaram 26, 32 e 38 anos. Após a análise dos dados, os cientistas constataram que as idades biológicas variavam muito. Enquanto alguns estavam no final de seus 20 anos de acordo com esses critérios, outros já estavam na casa dos 60. É o maior estudo sobre o envelhecimento já feito entre adultos jovens.
“A maioria das análises sobre envelhecimento se concentra nos idosos, mas, se queremos ser capazes de prevenir doenças relacionadas com a idade, temos que começar a estudar o processo em pessoas jovens”, diz Dan Belsky, líder da pesquisa e professor de Geriatria na Universidade Duke (EUA).
Para definir a idade biológica, a equipe mediu as funções metabólicas e do sistema imunológico, dos rins, fígado e pulmões. Também foram medidos os níveis de colesterol, a capacidade cardiorrespiratória e o comprimento dos telômeros (extremidades dos cromossomos), assim como a saúde dental e as condições de pequenos vasos sanguíneos no globo ocular.

Testes.

A maioria envelheceu no ritmo aproximado de um ano biológico para um ano cronológico. Segundo os pesquisadores, os que apresentavam sinais de velhice precoce também tiveram desempenho pior em testes aplicados para pessoas com mais de 60 anos – de equilíbrio, coordenação motora e resolução de problemas. Eles também aparentavam ser mais velhos, com marcas físicas do avanço da idade.
Para Belsky, o maior mérito da pesquisa foi demonstrar que é possível avaliar a trajetória de envelhecimento das pessoas combinando múltiplas variáveis, mesmo entre indivíduos mais jovens. Entretanto, defende o pesquisador, é preciso melhorar os métodos para que a medição seja “melhor, mais rápida e mais barata”. (AG)

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