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Brasil Um embrião congelado por 24 anos gerou um bebê para uma mãe apenas dois anos mais velha. Sem saber, a norte-americana Tina Gibson, de 26 anos, escolheu um embrião criado em 1992

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O embrião que gerou Emma pode ser um dos mais antigos a resultar, com sucesso, em um bebê. (Foto: Reprodução)

A norte-americana Tina Gibson deu à luz Emma no dia 25 de novembro deste ano, aos 26 anos. A menina é fruto de uma inseminação artificial de outro casal, que deixou alguns embriões congelados para que outra mulher pudesse implantá-los no futuro. Até aí, pode parecer uma história comum, mas o embrião que gerou Emma pode ser um dos mais antigos a resultar, com sucesso, em um bebê. Ele foi congelado em 1992.

Tina e o marido, Benjamin Gibson, relatam que não tentaram bater o “recorde” de propósito. Eles escolheram quatro embriões irmãos depois de descobrirem que Benjamin tinha fibrose cística, um transtorno que pode levar, em alguns casos, à infertilidade masculina. O casal só descobriu a idade do embrião quando estava se preparando para a implantá-lo. “Você tem noção de que eu só tenho 25 anos?”, disse Tina ao médico quando soube da informação. “Este embrião e eu poderíamos ter sido melhores amigas.”

O médico Zaher Merhi, diretor de pesquisa de fertilização in vitro no New Hope Fertility Center, disse à CNN que é impossível ter certeza se Emma é realmente fruto do embrião mais velho que gerou um bebê nos Estados Unidos, pois os dados não são coletados em nível nacional.

Ainda de acordo com a reportagem, alguns casais costumam doar embriões após terem sucesso em fertilizações anteriores e decidirem que a família está completa. Assim, os remanescentes ficam disponíveis para adoção.

Útero transplantado

O primeiro bebê do mundo gestacionado em um útero transplantado de uma doadora morta nasceu na última sexta-feira (15) no HC (Hospital das Clínicas) da faculdade de medicina da USP (Universidade de São Paulo). A mulher que recebeu o útero nasceu sem o órgão por conta de uma doença, a síndrome de Rokitansky.

O transplante do órgão – pertencente a uma mulher que teve morte cerebral – ocorreu em setembro de 2016, no próprio HC, em uma cirurgia que durou cerca de dez horas.

A partir disso, iniciou-se a tentativa de engravidar, o que funcionou já na primeira tentativa, com a transferência de embriões – óvulos da mulher transplantada e espermatozoides do marido dela – para o útero. A gestação correu normalmente até o parto por cesariana na última semana.

O útero foi retirado após o parto – como é de costume – pois um tratamento de imunossupressão, com utilização de muitos medicamentos e com riscos para a paciente, é necessário para evitar a rejeição do órgão.

Para a escolha da paciente, os pesquisadores brasileiros procuraram uma mulher clinicamente saudável e com óvulos de boa qualidade.

O estudo, que teve como resultados o transplante e a gestação, faz parte de um projeto de pesquisa financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e com apoio do HC.

Segundo Edmund Chada Baracat, diretor da divisão de ginecologia e do Centro de Reprodução Humana do HC, o início do projeto contou com treinamento em porcos e cadáveres – tudo com aprovação de comitês de ética em pesquisa.

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