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Economia Emendas e patrocínio federal injetam mais de R$ 85 milhões de verba pública no carnaval

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Carnaval também recebe financiamento de governos locais e patrocínios privados. (Foto: Paulo Pinto/LigaSP)

As festas de carnaval de 2026 receberam ao menos R$ 85,2 milhões em verbas de emendas parlamentares e repasses feitos por órgãos ligados ao governo federal, como a Caixa e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).

A maior parte dessa fatia de dinheiro público — cerca de R$ 52 milhões — foi indicada pelo Congresso. A injeção de verba nas festas costuma ser cobiçada por parlamentares, que buscam ampliar sua projeção política, especialmente em ano de eleições.

Neste carnaval, um repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola de samba Acadêmicos de Niterói se tornou alvo de questionamentos da oposição. A agremiação homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, deve participar do desfile.

O levantamento feito pela Folha de S.Paulo considerou repasses federais confirmados em diários oficiais e documentos de execução do Orçamento que mencionam termos como “carnaval”, “desfile” e “escola de samba” disponíveis até quarta-feira (11). O valor pode ser ainda maior, pois existem pagamentos que não fazem menção direta às festas.

Ainda existem limitações para medir o valor em emendas Pix destinado aos eventos, uma vez que nesta modalidade de repasse a verba é transferida diretamente a estados e municípios.

Dentro do universo de quase R$ 50 bilhões em emendas distribuídas em 2025, as festas de Carnaval não estão entre as prioridades dos deputados e senadores. O Congresso destinou, por exemplo, R$ 78,5 milhões para projetos de castrações de pets e mais de R$ 3,2 bilhões para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional construir estradas e comprar maquinários a pequenos municípios.

Além da verba federal, as festas também recebem financiamento de governos locais e patrocínios privados. No Rio, o governo estadual liberou R$ 40 milhões, enquanto a Riotur, empresa municipal de turismo, destinou mais R$ 51,6 milhões às escolas.

Para o carnaval de São Paulo, a prefeitura pagou R$ 30,2 milhões. O Ministério do Turismo estima que 65 milhões de pessoas devem participar das festas em todo o Brasil, número que representaria 22% a mais de participação em comparação com 2025. O Carnaval tem previsão de faturamento de R$ 18,6 bilhões, segundo a pasta, com base em dados da FecomercioSP.

Técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União) recomendaram vetar o pagamento da Embratur para a escola que homenageará Lula. Relator do caso, o ministro Aroldo Cedraz rejeitou o pedido de suspensão cautelar do patrocínio e decidiu ouvir o governo, a agência e a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro).

O valor destinado à escola se deu a partir de um patrocínio mais amplo de R$ 12 milhões para o carnaval do Rio, prevendo R$ 1 milhão a cada escola do Grupo Especial. Trata-se do mesmo valor destinado no último ano pela agência.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT-RJ), disse que não há “nenhum favorecimento” à escola que fará a homenagem ao presidente. “Nós somos um órgão de promoção do Brasil, não de censura”, disse Freixo. A Embratur ainda fez aportes de R$ 450 mil a eventos no Rio, Salvador e Olinda.

A Caixa liberou patrocínios de R$ 14,8 milhões ao carnaval de 2026, sendo R$ 6,3 milhões ao “Camarote Viva Bahia”, em Salvador. A cifra aprovada pelo banco também inclui R$ 1,8 milhão ao “Nosso Camarote”, no Rio, além de R$ 800 mil para a festa em Belo Horizonte (MG) e outros recursos para shows e blocos em Pernambuco e na Bahia. Os patrocínios incluem apresentações do grupo BayanaSystem e dos cantores Luiz Caldas e Saulo.

Em 2025, o banco destinou ao menos R$ 12,9 milhões para eventos relacionados ao carnaval. No total, o banco contratou patrocínios de R$ 556 milhões no ano passado, principalmente para eventos esportivos e confederações de atletas. Ainda contratou cerca de R$ 50 milhões em projetos selecionados pela Caixa Cultural.

Publicações feitas no Diário Oficial da União ainda mostram que pequenas prefeituras firmaram contratos com artistas de projeção nacional. Lapão (BA) deve pagar R$ 1,2 milhão pela apresentação de Wesley Safadão, enquanto o show do DJ Alok deve custar R$ 950 mil para Vigia de Nazaré (PA). Já a prefeitura de Cametá (PA) contratou o show de Simone Mendes por R$ 950 mil.

Os documentos públicos sobre as contratações, porém, não deixam claro se foi utilizada verba de emenda ou algum patrocínio federal. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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