Terça-feira, 31 de Março de 2020

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Brasil “Empacotaram meu pai vivo”, diz filha de homem enviado ao necrotério

Filhos do paciente considerado erroneamente morto querem que ele seja transferido para a UTI para que possa fazer exames. Foto: Banco de Dados/ O Sul

O vídeo gravado por um rapaz que passava no corredor próximo ao necrotério do Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, no Mato Grosso, mostra que Vitalino Ventura da Silva, 58 anos, estava em uma maca, coberto por lençóis e respirava. “Empacotaram meu pai vivo. Isso é um absurdo!”, diz a filha Janaína Maria Ventura da Silva. Ele foi considerado morto por quase uma hora em 17 de julho,  após duas paradas cardiorrespiratórias.

Além de não terem recebido nenhuma explicação, os filhos de Vitalino não tiveram acesso ao atestado de óbito – conseguiram apenas a imagem de um relatório escrito à mão pela médica. Às 23h do dia 17, ela descreveu a morte: “Parada cardíaca, opto por não reanimar devido à gravidade do caso e à falta de prognóstico”. Entretanto, à meia-noite, ela relatou que o “paciente retorna do necrotério apresentando movimentos respiratórios espontâneos”.

Vitalino agora respira com a ajuda de um aparelho na traqueia e não fala, pois há um ano teve câncer na laringe, que foi retirado. Como foi considerado morto, foi enviado para o necrotério sem os aparelhos respiratórios, com algodão tapando as narinas e com gazes na saída da traqueia.

Seu filho, Joilson Ventura da Silva, foi até comunicado da morte por telefone, mas quando chegou ao Pronto-Socorro, uma hora depois para providenciar o velório, viu que seu pai estava vivo e de volta à sala vermelha, onde ficam internados pacientes em estado grave. Ele não entendeu por que havia recebido a ligação e somente após conversar com outras pessoas no hospital teve acesso ao vídeo do pai feito no necrotério.

Descaso

A suspeita da filha é de que não foi dada a assistência ideal ao pai e de que não houve nem a tentativa de reanimá-lo após as paradas cardíacas. Uma acompanhante de outro paciente no mesmo setor, que não quis se identificar, disse que viu a movimentação entre os funcionários, do envio de Vitalino até o retorno do necrotério. Segundo a testemunha, quando trouxeram o paciente do necrotério, pediram para que ela se retirasse da sala e vários médicos e enfermeiros se reuniram ali.

A família do paciente continua querendo explicações. Após o ocorrido com o pai, um dos filhos de Vitalino, Carlos Manoel Ventura da Silva, conta que os familiares buscam se revezar para não deixar mais o paciente sozinho. Eles querem que Vitalino seja transferido para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para que possa fazer exames.  De acordo com ele, os médicos dizem que o paciente não pode ser transferido porque corre o risco de que algo pior aconteça.

O Pronto-Socorro forneceu um encaminhamento para que a família possa recorrer à Defensoria Pública para conseguir uma vaga na UTI.  A secretária-adjunta de Planejamento e Operações da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, Iracema Queiroz, informou que considera o fato uma falha inadmissível e queserão tomadas as providências cabíveis para o caso. (AG)

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