Domingo, 05 de Abril de 2020

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| Gêmeos trocados no nascimento se reencontram após mais de 20 anos

Trocas de bebês em berçários separam irmãos que o destino, muitas vezes, reúne. Foto: Reprodução

Duas histórias que esperaram mais de 20 anos até chegarem ao final feliz. Uma aconteceu na Colômbia. Em uma casa, moram dois irmãos gêmeos não-idênticos. Em outra, outros dois gêmeos não-idênticos. Mas quando os quatro se viram pela primeira vez, formaram dois pares de gêmeos idênticos.

A outra história envolve Eni, Juliana, Deize e Joyce. Quando elas se encontraram, bastou uma troca de olhares entre as quatro e um erro cometido 28 anos atrás começou a ser revelado. Joyce nasceu em um hospital em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e de lá foi para a casa da dona Deize.

Gêmeas reunidas no Brasil

Os pais se separaram quando ela tinha 2 anos, e Joyce foi criada pela madrasta. “Eu era a gata borralheira da casa. Não foi fácil”, conta Joyce. Na mesma noite e na mesma maternidade também nasceu Juliana. Ela foi levada pela dona Eni, que sempre desconfiou das diferenças físicas entre as duas.

Para resolver as dúvidas elas fizeram o exame de DNA. No dia do teste, Joyce e Eni foram chamadas para abrir os envelopes com o resultado. “Podemos afirmar que Eni de Oliveira é a mãe biológica de Joyce Cardoso”, anunciou o médico Mauro Terra.
“Quando houve a primeira troca de olhar, minha para a minha mãe, eu tive certeza antes mesmo do DNA estar pronto, está aqui, agora, nas nossas mãos com a certeza, com a prova de que é minha mãe, eu tive certeza desde o primeiro instante”, afirmou Joyce.

Para Dona Deize, também uma boa notícia. “Nós confirmamos através dos exames de DNA que a senhora é a mãe biológica da Juliana”,  revelou  Terra. E Joyce, que sempre buscou o amor de mãe, agora tem duas. “Eu não tive uma história feliz durante a minha infância, mas agora eu estou tendo um final feliz”, concluiu.

O caso dos quatro gêmeos da Colômbia 

O reencontro de gêmeos na Colômbia foi relatado pelo jornal The New York Times.
Tudo começa com a história de Jorge, que  é estudante de engenharia mecânica em Bogotá. Ele tem um irmão gêmeo, Carlos. Jorge e Carlos não são idênticos. São bivitelinos, ou seja, nasceram de dois óvulos. Bom, era nisso que a família de Jorge acreditava até junho de 2013.

Naquele ano,  Laura, amiga de Jorge, entrou em um açougue, e uma verdade desconhecida durante 25 anos começou a vir à tona. O açougueiro era tão parecido com Jorge que a mulher chegou a pensar que fosse mesmo o seu amigo e se despediu dele chamando-o de Jorge. O açougueiro disse que ela estava fazendo alguma confusão, pois ele não se chamava Jorge. Seu nome era William.
Mas Laura investigou o caso. Conseguiu uma foto do açougueiro William e mostrou para Jorge. Na internet, a surpresa de Jorge aumentou: William também tinha um irmão gêmeo, chamado Wilber. William e Wilber também não eram idênticos. E mais ainda: Wilber, na verdade, era a cara do irmão gêmeo do Jorge, chamado Carlos.

Resumindo: Jorge, da família 1, é a cara do William, da família 2. E Carlos, da família 1, é igualzinho ao Wilber, da família 2. Alguém foi trocado na maternidade. Só que um detalhezinho afastava a história de um final assim tão simples.
“Ele nasceu em uma cidade e eu em outra. Será que meu pai andou fazendo filhos por aí?”, pensou Jorge. O perfil de William, na rede social, dizia que ele nasceu em Velez Santander, uma cidade pequena a 200 quilômetros de Bogotá, onde ele mora hoje.

Jorge, então, marcou um encontro com William em uma praça, na capital colombiana. E levou um amigo, que gravou tudo. Jorge saiu desse encontro, direto para casa, para ligar para o irmão Carlos. “Perguntei para ele: ‘Você acredita em novelas?'”, lembrou.
“E ele me mostrou no computador a foto do William”, conta Carlos.  Estava na hora de reunir os quatro.

O encontro que mudou a vida deles foi no dia seguinte, na casa do Carlos. Três dias depois, os quatro foram para o laboratório fazer exames de DNA. “São idênticos”, concluiu a médica.

Mas ainda faltava responder: como essa troca aconteceu, se as duplas teriam nascido em cidades diferentes? Os pais de Jorge já morreram.  Só os pais de William talvez pudessem ajudar a desvendar o mistério. Carmelo e Ana vivem em uma área rural ao norte de Bogotá. Dona Ana conta que, depois do parto, um dos bebês, Wilber, nunca saiu do lado dela. “Mas o outro bebê teve que ir para a encubadora, porque aqui não tínhamos estrutura”, lembra. Foi em dezembro de 1988. Como eles moravam em uma área muito pobre, o bebê foi levado até uma maternidade em Bogotá. Justamente onde nasceram Jorge e o irmão gêmeo dele, no dia 21 de dezembro de 1988.

Uma enfermeira que trabalha na maternidade desde aquela época, explicou como os recém-nascidos eram cuidados. “Os bebês ficavam na mesma incubadora. E como as pulseirinhas de identificação eram de esparadrapo e acabavam caindo, na hora de botar de volta podem ter sido trocadas”, revelou.

O menino nascido em Santander ficou no mesmo berçário dos meninos nascidos em Bogotá. Na hora de voltar para casa, ele foi deixado no hospital, por engano. Era Carlos. Quem voltou para o lugar de Carlos, em Santander, foi um dos meninos nascidos em Bogotá. Era William. E as famílias não perceberam. Mas o destino teimou em reuní-los. Mais um final feliz.

 

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