Domingo, 16 de agosto de 2026
Por Tito Guarniere | 15 de agosto de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Houve momentos nas pesquisas recentes em que Flávio Bolsonaro, por si só, ou somente com o sobrenome afamado, ultrapassou Lula – parecia uma espiral ascendente e definitiva.
As coisas, entretanto, não são como parecem. Em breve, Bolsonaro derrapou e as pesquisas mostraram um candidato perdendo tração. Tudo começou a dar errado. Vieram a público as relações escabrosas com Daniel Vorcaro, do banco Master, e a história mal contada do filme da vida e trajetória de Jair Messias, o ex-presidente que está preso.
Também ficamos sabendo – o que não era novidade para os observadores mais atentos – que Flávio Bolsonaro não é exatamente um nome que agrega, um articulador político – apesar de todo o esforço e de todas as tentativas, não conseguiu atrair nenhum dos muitos partidos do Centrão para compor a sua chapa.
No ínterim, houve a manifestação da madrasta Michele, que em má hora resolveu botar a boca no trombone, se queixando de desatenção e desconsideração. A saia-justa depois deu lugar a um remendo, uma bandeira branca mal estendida, provavelmente insuficiente para curar as feridas.
E chegamos na mais recente alopragem: a escolha improvisada de um vice obscuro, acusado de estupro de menor vulnerável. É claro que o deputado Alfredo Gaspar pode ser inocente da acusação, como alega. Mas dentre tantos(as) candidatos(as) a vice vai escolher logo um sujeito sob suspeição de crime grave? É muito improviso, é muito amadorismo. Não chega a ser surpresa: inteligência não é uma habilidade de gente que leva Bolsonaro no sobrenome.
Mas com tudo isso e mais que venha por aí, Flávio cai dois ou três pontos nas pesquisas de voto, mas não descola de Lula, a diferença é insignificante, fica na margem de erro. Dito de outra maneira: com tudo dando errado na campanha do candidato do PL ele se mantém como a alternativa mais viável contra Lula.
Estranhos são os números das projeções de voto de Lula. Nem com as rateadas de Bolsonaro, mais as benesses que o presidente concede docemente com os recursos do erário, nem com as medidas que, tomadas no ano de eleição, se caracterizam como verdadeiro estelionato eleitoral, mesmo assim Lula olha o retrovisor e o adversário está na sua cola.
É a conta que se apresenta do “nós contra eles”. Desde o primeiro dia, Lula não fez outra coisa senão vergastar os adversários, e de falar apenas para o público interno. Não há em Lula uma palavra de paz – em fala o tempo todo pintado para a guerra.
Ele não envia mensagens nem toma medidas de governo que de algum modo possam atrair os milhões de eleitores que não votaram nele. Lula parece desejar que eles – os que não sufragam o seu nome – continuem assim, rejeitando-o de plano. Parece o tempo todo mais preocupado em manter o seu redil, os seus eleitores e simpatizantes, do que ganhar novos adeptos.
Então, acontece o mais do que previsível: Lula bateu no teto de seus seguidores e potenciais eleitores, mas não saiu do lugar. Mantém o eleitorado que se mostra predisposto a apoiá-lo, mas o outro lado, com todos os desacertos de Bolsonaro, permanece mais ou menos igual.
(titoguarniere@terra.com.br)
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Que mentira deslavada ninguém quer saber de traidor da Pátria!