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Colunistas Trump ainda não cumpriu a metade do mandato e já pensa em outra reeleição?

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Donald Trump foi eleito em 2016 e reeleito em 2024, ou seja, não pode mais concorrer ao cargo. (Foto: Daniel Torok/The White House)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Pela legislação vigente, não seria possível a nova tentativa de reeleição do atual presidente Donald Trump. A Constituição estadunidense prevê a condição de o cidadão ser eleito uma única vez, com direito também a uma única reeleição.

Diferentemente do Brasil, onde o presidente pode ser eleito e reeleito sem restrições, desde que não seja reeleição consecutiva, como já aconteceu com o atual presidente Lula, nos Estados Unidos ninguém que já foi eleito e reeleito pode concorrer novamente ao cargo.

Donald Trump foi eleito em 2016 e reeleito em 2024, ou seja, não pode mais concorrer ao cargo. Todavia, como na política até o passado é incerto, começam a ser aventadas algumas possibilidades para mudar a regra.

Até agora, apenas ele tem feito algumas insinuações e declarações esporádicas sobre o assunto. Chegou a sugerir que eventual disputa dele contra Barak Obama (também já eleito e reeleito) seria interessante. No último jantar com jornalistas, o presidente usou boné onde se lê: “Trump 2028”.

A 22ª Emenda da Constituição estipula a vedação a esta intenção. Como se reverteria esta situação?

Para alterar a Constituição, seria necessário o voto de 2/3 dos representantes das duas casas, Câmara e Senado Federal, fato que ocorreu apenas 27 vezes desde 1.788, sendo que 17 destas alterações são relativas à Carta de Direitos, em 1.791.

As outras alternativas previstas são ainda mais improváveis. A tarefa é extremamente difícil, mesmo para presidentes com alta popularidade. A Constituição foi elaborada e alterada justamente para garantir que futuras alterações só fossem realizadas com apoio de ampla maioria dos representantes do povo.

Apesar de o Partido Republicano ter a maioria nas duas casas (mas não os 2/3), muito provavelmente deve perder esta maioria na Câmara dos Deputados na próxima eleição, que ocorrerá em novembro. Isto é um fato que normalmente ocorre nas eleições de meio de mandato (midterms), tanto do lado republicano como do lado democrata.

Na atual conjuntura, não se configura a menor possibilidade de alterar-se a Constituição, e convencer o Partido Democrata a votar favoravelmente seria missão quase impossível. Mesmo dentro do Partido Republicano, que apoia Donald Trump, a ideia não arranca suspiros e encontra forte oposição.

Os possíveis e mais prováveis candidatos dentro do Partido Republicano, J.D. Vance (atual vice-presidente) e Marco Rubio (atual Secretário de Estado de Estado), teriam suas expectativas frustradas a curto prazo.

A única, mas muito improvável, alternativa seria a atual administração conseguir resultados excepcionais no que diz respeito à inflação, crescimento econômico, controle dos gastos públicos, geração de novos empregos, fortalecimento da política interna e externa e popularidade nunca atingida anteriormente.

Como sabemos que a conjunção destes fatores é praticamente impossível e a outra hipótese de “convencimento” dos congressistas, como ocorreu no Brasil em 1997, não ter espaço por aqui, a possibilidade de Trump concorrer novamente está praticamente descartada.

Resta saber qual o escolhido por Trump e avalizado pelo Partido Republicano para concorrer ao cargo de homem mais poderoso do mundo.

Pelos cargos ocupados, J.D. Vance seria o sucessor natural, já que é o vice-presidente. Todavia, Marco Rubio tem demonstrado mais força dentro do partido e ganhado mais notoriedade pelos assuntos importantes que o presidente a ele designou.

Ainda temos mais de dois anos pela frente e, na política, tudo pode mudar, até mesmo o surgimento inesperado de outra liderança que encontre respaldo popular em pontos frágeis da atual administração.

Trump X Obama vai ficar só no pensamento.

* Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi presidente da TV Record e superintendente da Rede TV, atualmente atua como correspondente internacional, vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e Rede Pampa nos Estados Unidos

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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