Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2017
Nas delações premiadas, executivos e ex-executivos da Odebrecht revelaram que recebiam prêmios, em dinheiro, quando algumas obras eram superfaturadas. As multas a serem pagas vão ser calculadas, também, em cima desses valores.
A Odebrecht sempre teve como prática estimular resultados de maneira agressiva, oferecendo bônus, um pagamento extra para quem atingisse as metas da empresa. Só que, algumas vezes, para atingir essas metas, os executivos superfaturavam obras e pagavam propina, como conta Hilberto Mascarenhas Silva, o chefe do departamento criado para controlar os repasses ilegais.
“O que era combinado era o seguinte: eu vou lhe pagar bônus em função do resultado que você tem. E nós vamos negociar isso anualmente. Então, fazia qualquer coisa que tinha que fazer para poder atingir. Você pedir para um cara desse que queria aumentar o faturamento da obra dele, mas que o faturamento da obra dele para aumentar tinha que fazer um aditivo, e esse aditivo estava em cima da mesa de alguém que não estava aprovando, ele ia fazer miséria pra aprovar esse aditivo e aumentar a obra”, disse Mascarenhas.
O termo de rescisão de Hilberto com a Odebrecht mostra que ele recebeu R$ 625 mil brutos quando deixou a empresa. Bônus eram pagos até no exterior. “Ele [Marcelo Odebrecht] resolveu atribuir aqui para Hilberto, no ano de 2014, US$ 400 mil. Esses bônus e mais todos os salários que os delatores receberam durante os anos em que cometeram crimes, agora serão a base de cálculo da multa que cada um deles terá de pagar para acertar as contas com a Justiça. Essas multas, somadas, chegam a cerca de R$ 500 milhões. Além disso, os executivos que receberam bônus via caixa dois, geralmente em contas no exterior, terão de devolvê-los integralmente. Só depois de tudo pago os delatores terão suas contas pessoais e bens desbloqueados.”
Dos 77 delatores, 51 foram demitidos e 26 continuam na Odebrecht. Mas todos receberam indenizações da empresa e podem usar esse dinheiro para pagar as multas. As multas individuais não fazem parte da que a empresa vai pagar, de US$ 2,6 bilhões, prevista no acordo de leniência. Hilberto Silva, do departamento de propinas, nem pensa em trabalhar depois de pagar a sua pena e tirar a tornozeleira eletrônica. Ele foi um dos demitidos pela Odebrecht. (AG)
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