Sexta-feira, 29 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Empresários apoiam ação militar no Rio de Janeiro

Compartilhe esta notícia:

Fontes dizem que movimento de Skaff contra o atual presidente da Fiesp pode ter um viés político. (Foto: Reprodução)

O avanço de militares sobre postos de comando tradicionalmente civis e suas pretensões eleitorais são recebidos com otimismo por membros da elite econômica nacional. “Estamos em uma situação de guerra, a atitude que tem de ter é torcer a favor”, afirmou Flavio Rocha, da Riachuelo, que tenta viabilizar uma candidatura presidencial.

“Qualquer forma de discriminação é nefasta, um militar é um ser humano como qualquer outro”, justificou. Liderado por Rocha, o movimento Brasil 200, composto por empresários como Alberto Saraiva (Habib’s), João Apolinário (Polishop), Ronaldo Pereira Junior (Óticas Carol) e Pedro Thompson (Estácio), lançará nesta semana um plano de segurança com medidas de endurecimento do combate à violência.

Prevê ações como o acionamento de forças especiais do Exército e da Marinha “para ocupar áreas mais críticas” e operações de “apoio social” pelas Forças Armadas. Na plateia de palestra que Flavio Rocha deu em São Paulo, na quinta-feira (1º), a empresária Rosy Verdi (Rodobens) apontou a necessidade de “uma coisa mais dura”.

“Tem hora que a gente precisa receber um não, igual criança. Precisamos de alguém que ponha o bonde nos trilhos outra vez e, para isso, militar é bom e a gente vai ter que obedecer”, opinou. A empresária disse que “democracia tem tudo a ver”, mas elogiou o governo autoritário da Tailândia. “É um país que tem tudo o que nós temos aqui, praias maravilhosas, mas muito mais pobreza e você não vê esse lado, só as coisas bonitas”.

Uma pesquisa Datafolha de junho de 2017 mostrou que as Forças Armadas são a instituição mais confiável no País. E sua imagem aumenta nos segmentos mais ricos. Entre os que ganham até dois salários mínimos, 38% dizem confiar muito nela e 16% não confiam. Nas famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos, 47% confiam muito e 10% não confiam. Entre apoiadores de Jair Bolsonaro (PSC), o índice vai a 58%.

Imagem 

Segundo o Datafolha, a comparação de pesquisas sobre o prestígio das instituições permite dizer que a imagem das Forças Armadas já foi mais equilibrada entre as classes econômicas. “Entre os mais pobres, o apoio é menor, pois vivenciam, além do medo dos bandidos, a insegurança em relação às ações policiais”, disse o diretor-geral do instituto, Mauro Paulino.

“Não por acaso, são os jovens de classe média que formam a maior parte do eleitorado de Bolsonaro. Os jovens pobres desconfiam do discurso repressivo”, constatou. O historiador Rodrigo Patto Sá Motta criticou a atuação de militares no governo. “Eles deveriam ficar apenas nas casernas”, afirmou.

“Muitas pessoas das classes média e alta se sentem mais seguras com a visão do aparato militar nas ruas, o que gera a sensação de que serão mais bem defendidos dos assaltos e crimes comuns. No entanto, parece que a população das áreas carentes tem opinião diferente, já que as forças de segurança costumam tratar os pobres como se fossem criminosos em potencial.”

Para o historiador Carlos Fico, apenas setores mais intelectualizados veem as Forças Armadas com resistência por conta da ditadura militar (1964-1985). A sociedade brasileira, em geral, é receptiva. A elite econômica, em especial, “é pragmática em favor de seus próprios interesses, como é natural. Não se trata mais da imagem das Forças Armadas, mas de defesa de interesses econômicos”, disse Fico.

O pesquisador, porém, discordou da visão de que o avanço dos militares reflete a sua “proeminência efetiva”. Para ele, trata-se de sua instrumentalização pelo presidente Michel Temer (MDB) para fins políticos. “Não creio que os próprios militares estejam satisfeitos, porque obviamente a intervenção no Rio de Janeiro vai dar errado, é claro que o problema de segurança pública não vai se resolver até dezembro, e a culpa vai cair no colo do Exército”, afirmou.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Dólar cai e se aproxima de 3,60 reais
Homem é preso em hotel de Porto Alegre com quase 350 celulares roubados
Pode te interessar