Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de julho de 2015
Enquanto alguns dos líderes do PMDB trabalham para ampliar o desgaste do Palácio do Planalto, empresários têm procurado o partido para discutir saídas para a crise política e econômica. Em encontros reservados, pesos pesados da economia têm exposto aos peemedebistas a avaliação de que, se a economia afundar ainda mais, o setor privado irá junto e o País correrá o risco de enfrentar ainda mais graves tensões sociais.
Um empresário que prefere não se identificar afirmou que o vice-presidente Michel Temer, que é do PMDB e ameaçou deixar a articulação política do governo na semana passada, virou figura central do processo de diálogo. O empresariado não quer nem ouvir falar em sua saída da nova função, porque acham que isso representaria um agravamento da crise, com desfecho imprevisível.
Mas Temer hoje rema para um lado, enquanto dois peemedebistas tão ou mais fortes do que ele, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL), navegam na direção oposta.
A poucos metros da residência oficial de Cunha, quatro senadores têm se reunido há meses para discutir a crise. Além de Renan, participam do grupo Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira (CE) e o ex- presidente José Sarney (MA). O diagnóstico feito reservadamente é que o governo está no chão, sem capacidade de se levantar, e eles não têm condições de ajudar o Palácio do Planalto a superar a crise.
Desgaste
No dia 1 de julho, Renan deu uma demonstração pública do que é tratado nos bastidores: horas após ouvir um apelo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar a presidenta Dilma Rousseff no Congresso, o Senado aprovou o reajuste dos salários do Poder Judiciário. Os servidores terão um aumento médio de 59,5% nos próximos quatro anos, com impactos calculados pelo Ministério do Planejamento em 25,7 bilhões de reais aos cofres públicos, uma ameaça às contas da União.
O presidente do Senado sabia que Dilma vetaria o projeto, mas não quis perder a oportunidade de provocar maior desgaste do Executivo. Renan e Eduardo Cunha são chamados no Palácio do Planalto de “maestros do caos”. Desde março, jogam ora juntos, ora separados. Sempre contra o governo. Em uma coisa, pelo menos, o Planalto e os dois concordam: a relação se rompeu depois que os peemedebistas foram incluídos na lista de políticos investigados pela Operação Lava-Jato, sob suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras. Os dois acreditam que o governo estimulou o procurador-geral Rodrigo Janot a inclui-los na lista, hipótese que o governo e o procurador refutaram.
Empresariado
A crise que a presidenta Dilma Rousseff enfrenta desde sua reeleição no ano passado se aprofundou nos últimos dias, reduzindo sua margem de manobra e abrindo espaço para as principais forças políticas discutirem o que fazer na hipótese de ela deixar o cargo ou ser afastada sem concluir o mandato.
O pessimismo sobre os rumos da economia brasileira cresceu, e analistas e investidores não vêem perspectiva de recuperação tão cedo.
Nas últimas semanas, Michel Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá e outros peemedebistas passaram a ser procurados por empresários que querem saber sobre a real possibilidade de um impeachment presidencial. Outros querem discutir saídas para a crise, do parlamentarismo à posse de Temer.
Os peemedebistas dizem que não apoiam o impeachment da presidenta. Mas reconhecem que a rejeição ao governo contamina o ambiente político e econômico. “O governo precisa tomar cuidado para não entrar no cheque especial de popularidade”, ironizou Eduardo Cunha, que tem poder para dar andamento a qualquer pedido de impeachment que venha a ser levado à Câmara.
As chances de o PT e o PMDB voltarem a trabalhar na mesma frequência são quase nulas. A avaliação da cúpula do PMDB é que atender ao pedido de Lula para ajudar Dilma politicamente serviria, no fundo, para que os petistas recuperem o seu poder. O que figura como último item na lista de prioridades do PMDB. (Folhapress)
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