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Viagem e Turismo Empresas aéreas decidem priorizar passageiro “premium”; classe econômica encolhe

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Estratégia global das companhias aéreas muda oferta de assentos e impacta turismo.

Foto: Freepik
Estratégia global das companhias aéreas muda oferta de assentos e impacta turismo. (Foto: Freepik)

No pós-pandemia, companhias aéreas passaram a focar em consumidores que pagam tarifas mais elevadas para viajar. Com passageiros mais interessados em experiências “premium” — e que também garantem maiores retornos para as empresas —, as companhias estão aumentando a oferta de assentos em classes superiores em detrimento da tradicional econômica.

Na Air France, por exemplo, a classe econômica, que em 2022 detinha 81% dos assentos dos aviões de fuselagem larga, passará para 75% em 2030. Na KLM, que faz parte do mesmo grupo, o recuo será de 90% para 79%.

Com 26% a mais de espaço para as pernas do passageiro e tarifas que podem se aproximar do dobro da mais barata, a econômica “premium” é a classe que ocupará a maior parte do espaço cedido pela econômica. Ela passará de 8% para 11% na Air France e de 0% para 10% na KLM. Ao mesmo tempo, a executiva e a primeira classe crescerão de 12% para 14% na marca francesa. A holandesa, que não tem primeira classe, ampliará os assentos executivos de 10% para 11%.

O diretor-geral do grupo Air France – KLM na América do Sul, Manuel Flahault, afirma que a decisão de investir no cliente “premium” – estratégia que a empresa chama de “premiumização” – reflete uma transformação do comportamento do consumidor. Segundo ele, desde a covid, os passageiros têm se mostrado mais interessados em viagens personalizadas e com maior conforto.

“A demanda pelo ‘premium’ se estabeleceu no pós-pandemia, principalmente no Brasil. Antes era só o passageiro corporativo que viajava em classes mais caras. Mas, há alguns anos, a demanda do ‘premium’ cresceu muito no lazer também”, disse em evento recente com jornalistas.

A Lufthansa também está apostando no cliente que paga mais e reconfigurando suas aeronaves para ampliar a econômica “premium” — classe que tem o melhor retorno financeiro por metro quadrado do avião —, de acordo com o CEO da empresa, Carsten Spohr. “A Lufthansa precisa focar no cliente premium, porque é uma companhia aérea premium. Não somos a companhia aérea mais barata do mundo. Precisamos de passageiros premium para fazer o negócio funcionar”, disse Spohr quando esteve no Brasil em dezembro.

Durante a visita a São Paulo, o CEO do grupo disse perceber que a tendência de o consumidor gastar mais com experiências, como viagens, tem ganhado força no Brasil, após se consolidar nos EUA e na Europa.

Spohr reconheceu que a Lufthansa foi inicialmente cética em relação à econômica “premium”, porque havia o risco de o cliente da executiva migrar para essa classe mais barata. “Mas aconteceu o oposto. O passageiro executivo ficou onde estava, e parte dos da econômica foi para a classe superior. E o voo do Brasil para a Europa dura 12 horas. Então, tem muita gente disposta a pagar mais para estar na econômica ‘premium’.”

Sobre a classe executiva, Spohr ainda brincou dizendo que o nome dela deveria ser alterado. Isso porque, hoje, dois terços dos que viajam nessa cabine estão a lazer, e não a negócios.

A diretora de vendas no Brasil do grupo Lufthansa, Annette Taeuber, afirma que a companhia vem investindo no “premium” não apenas porque o segmento é lucrativo, mas porque os passageiros desses produtos são mais frequentes. Ela também diz que os passageiros ficaram mais dispostos a gastar mais em suas viagens depois da pandemia.

Taeuber afirma ainda que o grupo vem ampliando a oferta de assentos em classes superiores, mas buscando um equilíbrio entre o “crescente interesse pelas cabines ‘premium’ e a exclusividade oferecida” aos clientes.

A Latam é outra companhia que vem procurando atrair o cliente de alta renda. De acordo com o CEO da empresa no Brasil, Jerome Cadier, a estratégia começou ainda em 2019, mas havia perdido força nos primeiros anos da pandemia, quando a companhia enfrentou um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. Passada a covid, o plano foi retomado.

Há dois anos, a empresa vem ampliando progressivamente a oferta de assentos na econômica “premium” de voos domésticos. Para voos internacionais, a companhia anunciou, no ano passado, a criação da cabine “premium comfort” – também uma opção intermediária entre a econômica e a executiva, na qual a empresa está investindo US$ 100 milhões. A nova classe estará disponível a partir de 2027.

(Com O Estado de S.Paulo)

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