Domingo, 26 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de julho de 2026
Os principais produtos sujeitos à dupla tributação são madeira, máquinas e equipamentos
Foto: Gilberto Sousa/CNICidades dos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina estão entre os mais afetados pelo mais recente tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros. Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos comprados do Brasil, que entrou em vigor na quarta-feira (22). No dia seguinte, veio outra taxação, de 12,5%, que teve início na sexta-feira (24). Somadas, as tarifas chegam a 37,5% para uma série de produtos exportados aos americanos.
A primeira decisão é uma punição por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano, como o Pix. A segunda ocorreu sob a alegação de punir 60 parceiros comerciais que, segundo os EUA, falharam em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Os principais produtos sujeitos à dupla tributação são madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetal e animal e armas. Outras mercadorias, como combustíveis, carnes, café e suco de laranja, ficaram livres das duas taxações. A produção de tabaco de Santa Cruz do Sul e outras cidades gaúchas, além das exportações de armas de fogo de São Leopoldo, estão na lista das mais atingidas.
Piracicaba (SP) é a cidade mais afetada pelo novo tarifaço, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). O levantamento considera os dez grupos de produtos brasileiros mais impactados pelas duas novas tarifas e as exportações de 2024, quando não havia tarifaço. Dentro dos grupos, há mercadorias específicas afetadas apenas por uma das sobretaxas e outras afetadas pelas duas.
Piracicaba abriga empresas exportadoras de máquinas e equipamentos para as indústrias agrícola e automotiva dos Estados Unidos. A cidade também foi atingida pelas vendas de produtos químicos orgânicos, papel e etanol. O município já havia sido o mais punido pelo tarifaço de 50% aplicado em 2025, derrubado pela Justiça americana.
Além das empresas exportadoras, os impactos atingem fabricantes que fornecem máquinas, equipamentos, peças e serviços para o setor sucroenergético, segundo o presidente do Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi), Paulo Estevam Camargo.
“Qualquer redução na competitividade do etanol brasileiro ou retração dos investimentos nesse segmento acaba refletindo diretamente sobre a indústria metalmecânica, que fornece tecnologia, equipamentos e soluções para toda essa cadeia produtiva”, disse Camargo. Em Piracicaba e região, o setor metalmecânico estima que 50 empresas são diretamente afetadas, com um contingente de 10 mil empregados.
Com o tarifaço, o temor das companhias aumentou diante das declarações do governo brasileiro sobre adotar a lei da reciprocidade. “A escalada de medidas retaliatórias tende a aumentar a insegurança nas relações comerciais, elevar custos e dificultar ainda mais o ambiente de negócios”, afirmou o representante.
A segunda cidade é São Paulo, considerando a venda de máquinas, gorduras animal e vegetal e outros equipamentos para os Estados Unidos. Em seguida, aparece Joinville (SC), o maior polo industrial de Santa Catarina, por causa do setor metalmecânico.
Serra (ES) e Cachoeiro do Itapemirim (ES) são outras cidades fortemente afetadas pelas tarifas de Trump. Ao lado de outros municípios capixabas, empresas do Estado são exportadas de rochas naturais para os americanos.
A tarifa de 25% atingiu as vendas de granito e mármore, impactando negócios instalados em diferentes cidades do Espírito Santo. Com esse cenário, as empresas começaram a se planejar para aumentar as vendas de quartzito, um outro tipo de rocha, mais raro e caro, que havia ficado isento. O produto, porém, acabou entrando na tarifa de 12,5% – junto com granito e mármore, frustrando os empresários.
“Mármore e granito representam 30% de tudo que exportamos para os Estados Unidos em rochas naturais. Ninguém quer perder 30%”, afirma Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). ”Além disso, de tudo que os Estados Unidos importam de rochas do mundo, 65% é mármore e granito e só essa importação dá US$ 2 bilhões. Ou seja, é onde temos espaço para crescer e, sendo taxados, vamos ficar de fora”, diz.
“Estamos trabalhando caminhos alternativos para diversificar mercados, mas não podemos menosprezar o mercado americano porque somos totalmente dependentes. Os Estados Unidos têm interesse no Brasil e em produtos que só existem praticamente no Brasil, como quartzito”, afirmou o representante.
A maior parte da pauta exportadora do Brasil não foi afetada pelo tarifaço de Trump. Segundo o governo brasileiro, as duas novas tarifas alcançam simultaneamente 16,5% das exportações brasileiras, enquanto 52,7% permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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