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Política Encerrada a eleição presidencial, o mundo político de Brasília se volta agora para a disputa pelo comando do Congresso

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Centrão tenta comandar duas Casas como contraponto à força do PL, que mira o Senado. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Encerrada a eleição presidencial, Brasília volta as atenções para a disputa pelo comando do Congresso Nacional. Após eleger as maiores bancadas, o PL pretende conquistar a presidência do Senado. O Centrão, por sua vez, articula para controlar as duas Casas no primeiro biênio (2027-2028), buscando conter a influência da ala mais radical do bolsonarismo.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalham pela reeleição. Motta chega às negociações em posição favorável, com apoio de partidos de diferentes espectros políticos. Alcolumbre, entretanto, enfrenta uma disputa mais aberta. As eleições estão marcadas para 1º de fevereiro de 2027.

Motta 

Motta conta com o apoio de um bloco formado por PSD, Republicanos, MDB, Podemos e pelas federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD, que somam 252 deputados. Com a adesão anunciada por PSB e PDT, o apoio declarado chega a 273 parlamentares, acima dos 257 votos necessários para vencer em primeiro turno.

A vantagem, contudo, não garante a reeleição. A votação é secreta, e os acordos partidários não obrigam os deputados a seguir a orientação das lideranças. Além disso, o PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 representantes, e parte da sigla defende uma candidatura própria, com Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice de Motta, entre os nomes cogitados.

O partido também reivindica mais espaço na Mesa Diretora e nas comissões. Para reduzir as resistências, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negociou com Marcos Pereira, dirigente do Republicanos, um entendimento que envolveu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial e votos para a recondução de Motta.

Apesar disso, persistem divergências dentro do PL em relação à aproximação do presidente da Câmara com Lula. Motta, por sua vez, defende a manutenção do bloco de centro como forma de garantir espaço nas decisões legislativas, incluindo presidências de comissões e relatorias. O deputado Antonio Brito (PSD-BA) já declarou apoio pessoal à recondução, enquanto integrantes do PT também passaram a defender o nome de Motta.

Senado

No Senado, cinco nomes aparecem nas articulações: Davi Alcolumbre, Rogério Marinho (PL-RN), Eduardo Gomes (PL-TO), Tereza Cristina (PP-MS) e Arthur Lira (PP-AL). O PL terá 28 senadores, a maior bancada da Casa, mas precisará de apoio de outras siglas para conquistar a presidência.

Alcolumbre busca formar uma maioria com partidos de fora do PL e do Novo, além de atrair votos individuais dos liberais. Sua principal estratégia é defender a independência do Senado e evitar que a Casa fique excessivamente vinculada ao Palácio do Planalto. Aliados estimam que ele possa reunir entre 44 e 49 votos, embora não haja confirmação desses apoios.

O senador também mantém contato com os parlamentares eleitos e participa das negociações sobre distribuição de gabinetes, cargos e outros espaços institucionais. Os líderes Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA) já manifestaram apoio à sua recondução, mas a consolidação de uma maioria ainda depende de negociações.

Marinho, por outro lado, chega à disputa respaldado pela atuação como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. O resultado da eleição presidencial pode influenciar sua candidatura, mas ele enfrenta resistências fora do PL. Em 2023, perdeu a disputa para Rodrigo Pacheco e, na ocasião, o partido ficou sem cargos na Mesa e presidências de comissões. Dois anos depois, a sigla apoiou Alcolumbre para evitar o isolamento.

Nesse cenário, Eduardo Gomes surge como alternativa para ampliar as alianças do PL. Vice-presidente do Senado e próximo de Alcolumbre, ele mantém diálogo com parlamentares de diferentes partidos.

Tereza Cristina também é considerada uma opção com capacidade de atrair votos além de sua legenda. A senadora já demonstrou interesse em comandar a Casa e mantém boa interlocução com Alcolumbre, mas ainda não há acordo consolidado em torno de sua candidatura.

Já Arthur Lira tenta usar a experiência de quatro anos na presidência da Câmara e o apoio do bolsonarismo para viabilizar seu nome. Entretanto, enfrenta resistência do MDB de Renan Calheiros, seu adversário na disputa pelo Senado em Alagoas.

MDB

O MDB é apontado como possível fiel da balança na disputa. A legenda teve papel importante na eleição de Pacheco em 2023 e poderá novamente influenciar a formação da maioria. Apesar disso, não há articulação concreta para lançar um candidato próprio.

As negociações nas duas Casas podem ocorrer de forma conjunta. O PL avalia concentrar esforços em uma das presidências e negociar apoio na outra, enquanto Motta e Alcolumbre tentam preservar as alianças que sustentam suas candidaturas.

Até fevereiro de 2027, mudanças de posição, acordos entre partidos e novas candidaturas ainda podem alterar o cenário. A força das bancadas será importante, mas não suficiente para garantir o controle do Congresso. (Com informações do Valor Econômico)

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