Terça-feira, 11 de Maio de 2021

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Economia Entenda como a nova crise com o avião 737 Max, da Boeing, afeta a brasileira Gol

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A Boeing informou na última sexta-feira (9) sobre a ocorrência de um novo problema elétrico em um grupo específico de aeronaves 737 Max. (Foto: Reprodução)

A Boeing informou na última sexta-feira (9) sobre a ocorrência de um novo problema elétrico em um grupo específico de aeronaves 737 Max. Além do desafio adicional para a fabricante norte-americana, que ainda luta para superar acidentes aéreos envolvendo a família de aviões, o anúncio gera impacto sobre a Gol, que aposta fortemente no 737 Max para o futuro.

A Boeing recomendou a 16 clientes ao redor do mundo que verifiquem um possível problema elétrico antes de prosseguir com a operação. A recomendação consiste em checar “se existe espaço de aterramento suficiente para um componente do sistema elétrico”.

A fabricante não informou quais são esses clientes, mas a Gol é a aérea que mais opera 737 Max no Brasil, com sete unidades. Em nota, a brasileira informou que o problema afeta apenas uma aeronave da frota da companhia. “Seguindo os princípios de segurança que regem a nossa companhia, decidimos realizar proativamente a suspensão dos voos desta aeronave”, disse a Gol.

A aérea diz estar em contato com a Boeing, aguardando instruções para a resolução do problema, e que “somente retornará a aeronave afetada para o serviço após a certeza de que todas as ações corretivas tenham sido aplicadas e validadas pela fabricante, sempre em coordenação com as autoridades dos Estados Unidos e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)”.

Impacto de curto prazo

O analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter, pondera que o impacto para a Gol deve se restringir ao curto prazo, especialmente se o problema afeta um número reduzido de aeronaves da frota. Além disso, o cenário de pandemia e a queda drástica da demanda também acabam tornando a parada de operação para reparos “propícia”.

“As companhias aéreas têm hoje uma capacidade ociosa grande, e se há um momento que esse reparo poderia acontecer é agora, pois o prejuízo tende a ser reduzido.”

Apesar do impacto aparentemente restrito à Gol, o novo problema da Boeing pode afetar a confiança do mercado (e dos passageiros) para voar em aeronaves da família 737. Ao final de dezembro de 2020, a Gol informou em balanço financeiro que possuía 95 pedidos firmes para aquisição de aeronaves 737 Max. No documento, a companhia afirmou que “o 737 MAX proporciona à Gol vantagens substanciais”.

Crise de confiança?

De acordo com o presidente da Comissão de Direito Aeronáutico da Ordem dos Advogados do Brasil – seção São Paulo (OAB-SP), Felipe Bonsenso, os acidentes envolvendo o 737 colocam um holofote permanente na família de aeronaves. “Qualquer problema acaba virando uma questão muito maior para esses aviões.”

Segundo Bonsenso, ajustes em aviões são comuns. Entretanto, problemas recorrentes causam outro tipo de desafio. “Problemas recorrentes afetam a confiança do passageiro e as companhias aéreas podem até acabar desistindo de comprar o 737 MAX”, afirma o especialista.

Por outro lado, em meio à pandemia e à profunda crise econômica que as companhias aéreas enfrentam, um novo problema com as aeronaves da Boeing pode ser uma forma de clientes como a Gol negociarem preços com a fabricante, de acordo com uma fonte do setor, que prefere não se identificar. “A Gol tem agora um novo argumento para renegociar termos dos contratos do 737”, explica. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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